Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 23/08/2021
O romance “Utopia”, do inglês Thomas Morus, retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos. Evidentemente, esse contexto fictício se distancia da realidade brasileira, pois o isolamento social, medida necessária devido à pandemia do covid-19, impactou negativamente a saúde mental dos idosos, afetando a conjuntura social. Sob esse prisma, é indubitável que esse empecilho é fomentado tanto pela negligência estatal, como também pela base educacional lacunar.
Nesse viés, é importante destacar como a negligência governamental atua diretamente como causa do problema. Consoante a isso, o jornalista Gilberto Dimenstein, eu seu livro “O cidadão de papel”, explica que as leis constitucionais residem tão somente na teoria, ou seja, não ocorrem na prática. Nessa perspectiva, o governo não provê direito à saúde, garantido na Constituição pelo artigo 6º, aos idosos, uma vez que essa situação afeta a saúde física e mental deles, podendo levá-los a desenvolver doenças mentais, por exemplo, depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, etc. Dessa maneira, é crucial reconhecer as falhas nesse sistema e reverter a situação.
Outrossim, é válido salientar que a educação falha caracteriza-se como um complexo dificultador. Desse modo, segundo o filósofo prussiano Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele, assim sendo, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange aos idosos, a sociedade não é devidamente educada sobre a importância da saúde psicológica, principalmente, dos idosos, visto que são um grupo negligenciado e, normalmente, estão em condição de fragilidade, consequentemente, não recebem a atenção necessária, o que foi agravado com a quarentena. Portanto, a educação da população sobre o assunto é de extrema importância.
Em face dos argumentos supracitados, para atenuar os impasses gerados pela problemática, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, invista em campanhas e programas de ensino, no meio social e televisivo, por meio de verbas públicas, a fim de conscientizar a sociedade sobre a atenção e o cuidado para com os mais velhos. Logo, com essas e outras medidas, será possível minimizar os óbices ligados aos impactos da quarentena na saúde mental dos idosos.