Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 24/08/2021

Em Francisco Beltrão, cidade localizada no sudoeste do estado do Paraná, Dona Maria Mendonça perdeu, em menos de seis meses, durante a pandemia do vírus Covid-19, seu marido, dois de seus filhos e um genro pela doença, além da mesma também ter sido contaminada. Presenciar tamanha dor em tão curto espaço de tempo sem poder ter contado com familiares, amigos e conhecidos, devido ao isolamento social, para receber apoio emocional certamente causa à mente sérios impactos. Diante disso, é preciso compreender a necessidade de se direcionar significativa atenção para a parcela idosa da população que, além de compreenderem a faixa etária mais atingida pela doença, vivenciam o isolamento social de maneira distinta de pessoas mais jovens.

Primeiramente, segundo um levantamento realizado pela revista brasileira Poder360, quase 70% das mortes pelo Covid-19, no Brasil, concentram-se na população acima de sessenta anos, evidenciando como pessoas idosas estão mais vulneráveis ​​nesse período delicado de pandemia. Como também, de acordo com um estudo coordenado pela Facudade de Medicina da Universidade de São Paulo, cerca de 90% dos idosos avaliados que tiveram a doença a superaram levando consigo sequelas permanentes. Dessa maneira, fica claro que o medo de ser atingido pela doença, bem como a fragilidade física e emocional que a mesma causa nesse grupo específico, trazem consequências maléficas à saúde de um indivíduo que se encaixa nessas características.

Além disso, aspectos simples do dia a dia que tornaram-se restritos com o isolamento social, como o “bingo da igreja” e um passeio por um parque público, desempenham na vida de uma pessoa idosa expressivo papel de relevância. Da mesma maneira, ao chegar a uma avançadada idade, o ser humano biologicamente acaba desenvolvendo doenças restritas a essa fase da vida, o que prejudica a saúde e, como consequência, o psicológico do idoso. Tais fatos exemplificam a dificuldade de se enfrentar uma pandemia pela lente de uma pessoa de idade, que convive junto a pensamentos ansiosos e temerosos agravados pelo contexto do Covid-19.

Sendo assim, é importante destinar atenção e apoio para a população idosa, para que essa possa superar, da melhor maneira possível, o atual estado da humanidade. Para tal, é dever do governo, através do Ministério da Saúde, garantir aos idosos, por meio de uma política de atendimento domiciliar seguro e frequente, melhor qualidade de vida durante o período de isolamento social, para que esses possam se sentir acolhidos pelo Estado. Assim como é, também, papel da população fornecer apoio emocional para seus próprios familiares de idade, respeitando todos os protocolos de segurança impostos pelo governo, a fim de garantir o bem estar de seus entes tão queridos.