Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 24/08/2021

A obra “Ensaio sobre a cegueira”, do escritor José Saramago, retrata uma sociedade na qual uma doença denominada “cegueira leitosa” acomete a população, que passa a adotar o isolamento social como principal medida para conter o contágio. Analogamente, na sociedade atual, o distanciameto social foi utilizado como forma de combate à pandemia de “Covid-19”, afetando a saúde mental de todas as pessoas, sobretudo na terceira idade. Sob esse viés, nota-se que uma das principais causas desse óbice foi a abrupta mudança na rotina dos idosos que, associada ao descaso familiar nessa situação de vulnerabilidade, corrobora para o agravamento desse problema no cotidiano dos indivíduos.

Convém ressaltar, a princípio, que o isolamento social não afetou apenas os idosos, mas também toda a população brasileira. Sendo assim, segundo um estudo realizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, entre março e abril de 2020, os casos de depressão aumentaram 90% e o número de pessoas que relataram sintomas como crise de ansiedade e estresse agudo mais que dobrou, evidenciando o quão prejudicial à saúde mental foi o afastamento social mandatório. Dessa forma, os idosos, como um dos principais grupos de risco na pandemia, foram os primeiros a serem isolados, enfrentando a solidão por ainda mais tempo.

Outrossim, o modo o qual os familiares lidam com as pessoas da terceira idade influencia, diretamente, o desenvolvimento de enfermidades mentais. Assim sendo, consoante à obra “Cegueira Moral”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a negligência moral intensifica-se na sociedade, normalizando atos insensíveis e tornando a indiferença ao próximo algo habitual, isto é, em meio a um cenário pandêmico, o descaso para com os idosos foi normalizado, não fornecendo a estes a atenção necessária, fomentando a problemática. Desse modo, os jovens e adultos, mais flexíveis em relação a adaptação, não deram a devida atenção às pessoas na melhor idade, deixando-as sem amparo psicológico.

Diante do exposto, com o fito de mitigar a problemática, impende ao Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde, um maior incentivo à adesão de acompanhamento psicológico para os idosos, por meio do desenvolvimento de projetos sociais que viabilizem o acesso aos profissionais, objetivando um maior equilíbrio emocional e devida atenção às enfermidades, para que possam ser combatidas. Ademais, cabe aos familiares a manutenção do contato, demonstrando preocupação e apoio afetivo, através de videochamadas ou ligações, a fim de que seja diminuída a sensação de solidão e reclusão. Assim, a sociedade poderá atenuar o imbróglio e, eficientemente, proporcionar uma melhor qualidade de vida aos idosos, oferecendo a eles o apoio necessário e garantindo seu bem-estar.