Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 29/09/2021

Promulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1948, a Declaração Universal dos direitos Humanos garante que todo ser humano tem o direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe saúde e bem-estar, tanto físico quanto mental. Contudo, durante o isolamento social, ocasionado pela pandemia da COVID-19, percebe-se que esse direito não se concretizou plenamente, o que gerou graves problemas para os idosos que tiveram a sua saúde psicológica afetada. Dessa forma, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a omissão do Estado e a negligência domiciliar.

Nessa conjuntura, é fulcral pontuar a atuação estatal precária no apoio aos que sofrem dessa mazela. Nesse sentido, de acordo com o pensamento do filósofo Karl Marx, o governo do Estado moderno é apenas um comitê para gerir os interesses comuns de toda a burguesia, esquecendo-se das margens da sociedade. Analisando o pensamento, nota-se que as auoridades estatais não se manifestam na resolução da problemática, ferindo, por exemplo, a Constituição Cidadã, que afirma ser dever do Estado assegurar o bem-estar social. Por conseguinte, as pessoas de avançada idade, serão prejudicadas, pois, por sua própria condição natural, necessitam desse apoio para não sofrer com a ansiedade e a depressão, que são ocorrências típicas desse contexto. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de combater os danos causados pelo isolamento social.

Ademais, é imperativo ressaltar a indiferença familiar no cuidado dos idosos como agravante dos impactos gerados na saúde mental deles durante a quarentena. Sob essa ótica, de acordo com o Manual de Psiquiatria Clínica, o cuidado para com os mais velhos, nessas situações, é fundamental, visto que é inerente à condição humana: o carinho, o afeto e o contato pessoal. Entretanto, é notável que, no convívio domiciliar, esses componentes intrínsecos ao ser humano estão cada vez menos presentes, devido ao uso imoderado de aparelhos eletrônicos, do vício em séries e da distância que se origina entre os membros da família, que diminui a interação e o fortalecimento dos laços afetivos. Com efeito, intensifica-se a solidão e perpetua-se os impactos negativos desse cenário.

Portanto, é mister que o Estado tome medidas para amenizar o quadro atual. Dessarte, faz-se necessário que  o Ministério da Saúde (MS), por meio de verbas governamentais, alie-se às famílias e crie programas de acolhimento aos idosos, promovendo atividades físicas e socio-interativas, utilizando ferramentas digitais. Outrossim, deve contar com o apoio de psicólogos, para realizar atendimentos psicoterapêuticos gratuitos aos que necessitarem. Com essas medidas concretas, objetiva-se liquidar, efetivamente, os impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos.