Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 11/10/2021
A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu que a saúde é um conceito que contempla aspectos físicos, sociais e psicológicos. Nesse sentido, com a pandemia de covid-19, essa tríade foi sendo desestabilizada para grande parte da sociedade. No Brasil, em especial, a problemática do isolamento social na saúde mental dos idosos causou e continua a causar fortes impactos. Diante disso, infelizmente, há uma relação social estabelecida entre idosos e os mais jovens na sociedade brasileira que corrobora para a piora do quadro de bem-estar dos mais velhos dentro do contexto de quarentena o que, consequentemente, se correlaciona com suas saúdes.
Em uma primeira análise, a filósofa existencialista Simone de Beauvoir discursou, em sua obra “A velhice”, sobre as relações e os estigmas que são criados acerca da 3º idade. Sob esse viés, após a ascensão do capitalismo industrial, seres humanos sem potêncial para trabalhar são automaticamente deixados às margens da sociedade. Suas necessidades passam a ser ignoradas na esfera pública e nas esferas interpessoais. Nesse contexto, é possível apontar o caso em andamento que diz respeito à Prevent Senior, empresa médica focada no tratamento de idosos, cujo um dos lemas entre os médicos é/era “óbito também é alta”. Tal quadro, expõe o caráter descriminatório e desrespeitoso para com as pessoas idosas evidenciado por uma empresa de grande influencia no país.
Em uma segunda análise, é possível citar um estudo da Universidade de Chicago que anunciou a possibilidade do isolamento social em idosos incrementar o risco de morte em 14%. Por isso, é necessário avaliar que as pessoas mais velhas passam naturalmente por um processo de mutabilidade na vida, a preocupação com a morte é latente e sofreu incremento com a quarentena, assim, as consequências desse tratamento social inadequado ou muitas vezes insuficiente fornecido pela saúde pública e/ou pelas pessoas da família, como casos de abandono em casas de repouso ou perda total da autonomia do idoso já muito debilitado, revela situações de desequilíbrio da saúde mental e da imunidade, de acordo com o estudo supracitado, principalmente para aqueles que antes costumavam levar uma vida ativa através, por exemplo, do exercício físico e das visitas aos amigos e parentes.
Portanto, urge que o Governo Federal mobilize verbas para o Sistema Único de Saúde (SUS) para o financiamento de campanhas publicitárias com o intuito de divulgar práticas de cuidado e atenção com os idosos em tempos de quarentena por meio dos veículos de comunicação, assim como expandir o tratamento com psicólogos para as consultas por vídeo chamada - que pode ser divulgado com a participação do Doutor Drauzio Varella, importante figura pública na área da saúde - a fim de amenizar os impactos e os desequilíbrios na tríada da ONU sobre os anciãos da sociedade brasileira.