Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 20/06/2022
Segundo o filósofo Byung-Chul Han, “Vive-se com a angústia de não estar fazendo tudo o que poderia ser feito”. Observa-se que, infelizmente, durante a quarentena da pandemia de COVID-19, o isolamento social impactou a saúde mental de muitas pessoas, especialmente dos idosos, visto que os laços afetivos fragmentados e as disparidades sociais foram fatores preponderantes que prejudicaram o equilíbrio mental dos mais experientes.
Em primeiro plano, os laços afetivos frágeis entre familiares existentes em grande parte da população podem ser evidenciados como um problema que impede a amenização dos impactos na saúde da mente apresentados a partir da quarentena. Nesse sentido, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, em sua tese “Modernidade Líquida”, a contemporaneidade é marcada pela volatilidade das relações sociais: a fragmentação dos laços afetivos e o individualismo. Sob esse viés, ressalta-se que muitos idosos ficaram sozinhos em suas casas e alguns foram negligenciados por causa da manutenção da distância física de seus parentes. Devido a isso, alguns quadros psíquicos foram desenvolvidos entre os mais velhos, como desânimo, mutismo e, até mesmo, depressão.
Cabe mencionar, em segundo plano, que, conforme a Constituição Federal de 1988, é um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. No entanto, esse objetivo não é alcançado de forma concreta, já que na reallidade brasileira encontra-se grandes disparidades sociais. Nessa perspectiva, durante o período da quarentena houve a acentuação das desigualdades, pois aumento da inflação e o desemprego em massa influenciaram diretamente no valor dos mantimentos básicos e dos remédios, impactanto, consequentemente, na qualidade de vida dos mais idosos dependentes de um salário mínimo.
Portanto, cabe aos governos estaduais e municipais criarem políticas públicas voltadas ao cuidado da mente dos mais velhos por meio da união de esforços das secretarias de Saúde e de Assistência Social para que os impactos negativos na saúde mental deixadas pela pandemia sejam amenizados.