Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 29/09/2022

Ao afirmar a transitoriedade do tempo, em sua célebre canção “O Tempo Não Para”, o compositor Cazuza faz, de certo modo, uma comparação entre o futuro e o passado. De fato, ele estava certo pois a preocupação com os desafios psicológicos dos idosos na pandemia do covid-19 já não são mais um problema exclusivamente atual, uma vez que acontecem desde o último dia do ano de 2019. Desse modo, na hodiernidade, as dificuldades persistem, seja pela falta de apoio familiar, seja pelo abuso de notícias apelativas.

Sob essa perspectiva, convém enfatizar que uma grande parcela da população ancestral sempre possuiu mais tendência a depressão, devido a muitos ficarem bastante tempo sozinhos. Dessa forma, com a chegada da quarentena obrigatória e com a necessidade de ficar mais tempo sem contato de amigos e familiares, sem suas visitas diárias ou semanais, aumenta-se o risco de sérias chances de adquirirem crises de ansiedade, depressão ou crises de pânico. Dessa forma, seria ideal um maior nível de preocupação da família, demonstrando apoio e relembrando que tudo isso será temporário e logo estarão todos juntos de novo.

Ademais, há uma séria preocupação com as excessivas estatísticas e notícias sobre o vírus, que tende a aumentar a propagação de fake news, que são notícias falsas, e acaba-se instaurando mais medo e desespero em toda sociedade, tendo um impacto maior nas pessoas mais velhas, gerando pensamentos ruins e pânico. Nessa óptica, é pertinente citar o discurso de Bauman no qual ele conceitua que não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas, o que faz relação com a saúde mental, afinal, é importante estar ciente das atualizações da pandemia, mas ficar alienado e ver em excesso, pode causar adoecimento.

Fica evidente, portanto, que tais ações expostas dificultam o bem-estar mental da população mais velha. Para isso, a família, provedores de construções emocionais e sociais, devem estimular com frequência o contato virtual com os idosos, através de vídeochamadas com o intuito de fazê-los se sentirem acolhidos e mais confortáveis. Outrossim, a mídia, grande difusora de informação, pode ser mais rigorosa com as notícias falsas garantindo que serão diminuídas, e também pode propor mais programas interativos, em função de tirar a tensão ali presente.