Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 09/11/2022

Thomas More, um expoente escritor inglês, retrata na obra “Utopia” uma sociedade perfeita, a qual é caracterizada pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, quando se observa os problemas ocasionados à saúde mental dos idosos, por causa do isolamente social na pandemia, constata-se o oposto do que o autor expõe. Diante dessa perspectiva, convém analisar os fatores que colaboram para essa problemática social: a negligência estatal e a fragilidade dos idosos.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar a inoperância do Estado no que tange à assistência às pessoas de idade avançada. Assim como afirmou Gilberto Dimenstein na obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira não é eficaz, visto que, apesar de parecer completa na teoria, muitas vezes não se concretiza na prática. Este fato fica evidente pela escassez de políticas públicas eficientes voltadas para o cumprimento do direito ao amparo aos idosos, garantido pela Constituição Federal. Deste modo, a pouca oferta de agentes de saúde comunitária - programa implantado pelo Ministério da Saúde em 1991 - e de acompanhamento psicológico, revela que nem mesmo os direitos constitucionais foram capazes de garantir a saúde mental dessa parcela da população.

Ademais, é mister salientar vulnerabilidade da pessoa idosa e, consequentemente, a maior suscessibilidade de desenvolver enfermidades da mente devido à falta de interação social. Consoante a isso, é lícito referenciar a OMS, a qual afirma que: “Saúde é o estado completo de bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença”. Assim, é notório que o cenário de isolamento social, provocado pela pandemia do covid-19, afetou diretamente a saúde dos idosos e que medidas precisam ser tomadas para reverter esse quadro, pois isso não afeta somente essa parcela da população, mas a sociedade como um todo.

Portanto, ainda há importantes entraves a serem superados para resolver os problemas discutidos. Sendo assim, o Ministério da Saúde deve investir num maior suporte aos idosos, por meio de medidas governamentais, como maior qualificação e oferta de agente comunitário de saúde, além de fazer parcerias com psicólogos para que estes assitam esses indivíduos, a fim efetivar o que está escrito na Constituição Cidadã e a sociedade se aproxime da descrita por More.