Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 16/04/2020

O documentário “A Plastic Ocean”, disponível na Netflix, investiga os efeitos da poluição ambiental e alerta que a humanidade produziu mais plástico nos últimos dez anos do que em todo o século anterior. Esse uso descomedido tem constituído um flagrante empecilho para a preservação ambiental no Brasil, posto que é o quarto maior produtor de lixo plástico. Tal panorama desafiador acarreta impactos deletérios a nível global, como a liberação de gases tóxicos na atmosfera e a inserção desses polímeros sintéticos na cadeia alimentar dos animais.

A utilização do plástico foi ampliada e, concomitantemente, houve crescimento da ocorrência de doenças respiratórias e cardíacas, além de danos ao sistema nervoso de seres humanos. Efetivamente, segundo relatório da WWF (Fundo Mundial para a Natureza), a queima a céu aberto desse material emite gases tóxicos, halogênios, óxido nitroso e de enxofre, substâncias que afetam a qualidade do ar. Tal prática é notoriamente nociva, porém comum no País em virtude da má administração dos resíduos, que, muitas vezes, tem como destino processos não regulamentados.

Outrossim, a grande presença do plástico contribui para a introdução dele não só na alimentação de animais marinhos, como também de terrestres, causando prejuízos à saúde, uma vez que os polímeros possuem componentes maléficos. Prova desse cenário preocupante são dados de pesquisa realizada no Canadá, divulgada pela BBC News, os quais sinalizam que a ingestão de microplásticos é visível em diversas espécies e afirmam que uma pessoa pode consumir até 121 mil partículas desse material em um ano. Na tentativa de reduzir os danos, a melhoria da educação ambiental dos consumidores é fundamental, visto que sua situação insatisfatória favorece a chegada dos resíduos plásticos aos mares e à teia alimentar.

À luz dessas considerações, cabe ao Governo Federal ampliar investimentos no sentido de cumprir a vasta legislação ambiental do Brasil, por meio de uma redefinição orçamentária, capaz de oportunizar ao Ministério do Meio Ambiente, por exemplo, a contratação de mais profissionais para melhorar a gestão dos resíduos plásticos e intensificar as fiscalizações, com o intuito de evitar que o material passe por processos não regulamentados. Ademais, compete aos ambientes escolares, por intermédio de cartilhas educativas, estimular uma mentalidade de engajamento na causa ambiental, buscando diminuir o consumo de plástico e sua aparição nos oceanos.