Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 11/12/2020
Na obra “O Princípio da Responsabilidade”, o filósofo alemão Hans Jonas determina que os seres humanos têm a responsabilidade de assegurar um planeta sustentável para gerações futuras. De maneira contraposta à ética jonasiana, observa-se que, no Brasil, o histórico descaso com a natureza, somado à omissão do poder público, impulsiona o uso excessivo e o descarte incorreto do plástico, o que constitui um caos ambiental. Desse modo, urge a promulgação de medidas afirmativas a fim de solucionar essa mácula social.
Nesse sentido, é importante destacar a problemática por um viés histórico o qual remete à Segunda Revolução Industrial, quando a exploração do petróleo possibilitou a utilização do plástico. No que concerne a esse contexto, o uso excessivo de tal derivado do petróleo na indústria brasileira para a confecção de produtos, como embalagens e garrafas, constitui um problema, pois a maioria desses materiais são descartados de maneira incorreta e persistem no meio ambiente por séculos. Sob essa ótica, o documentário norte-americano “Oceanos de Plástico” denuncia a existência de cerca de 8 milhões de toneladas de plástico nos oceanos e explicita os impactos dessa poluição em ambientes aquáticos, como a alteração de cadeias alimentares e a morte de espécies. Dessa forma, surge um cenário caótico no qual a mudança de hábitos se faz imediata.
Outrossim, é válido ressaltar a ineficácia de políticas de reciclagem como resultado da inerência governamental diante da necessidade de investimentos para a sustentabilidade no País. No que tange à conjuntura, apesar do Artigo 225 da Constituição Federal de 1988 assegurar como papel estatal o manejo sustentável do meio ambiente, a má gestão dos resíduos e o a falta de incentivos impulsionam a poluição ambiental, a qual cresce exponencialmente. Isso se exemplifica nos dados do Fundo Mundial para a Natureza, os quais afirmam que o Brasil produz cerca de 11,3 milhões de toneladas de lixo plástico anualmente e aparece como o quarto maior gerador de resíduos do mundo. Dessa maneira, observa-se o fortalecimento da destruição do meio ambiente em razão da negligência do poder público com relação a sua função social de preservação.
Destarte, torna-se imprescindível a união entre os atores sociais a fim de solucionar o caos ambiental instaurado no País. Para tanto, cabe ao Governo Federal, com auxílio do Ministério do Meio Ambiente, desenvolver um plano nacional de valorização de práticas sustentáveis, além de aproximar homem e natureza por meio de eventos populares - como a Semana do Plástico Zero na qual ambientalistas ensinam posturas de preservação do meio ambiente à população - a fim de conter os impactos de resíduos plásticos. Por fim, a sociedade brasileira agirá de acordo com a ética jonasiana.