Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 07/03/2020
O documentário norte-americano “Trashed” relata como diversos países lidam com os resíduos sólidos, os quais são produzidos em excesso no meio coletivo e industrial, mas, devido à baixa inclusão de técnicas recicláveis, contaminam cadeias alimentares e promovem desequilíbrios ecológicos por todo o planeta. Fora da narrativa, esse cenário de impactos do lixo plástico também está presente no cotidiano brasileiro e tornou-se um sério problema, visto que – seja pela irracionalidade popular, ora pela ineficiência estatal – compromete a integridade dos recursos naturais e, sobretudo, dos ambientes marinhos.
A princípio, cabe analisar o papel irracional da população sob a visão da filósofa alemã Hannah Arendt. Segundo a autora, a sociedade sustenta práticas deploráveis simplesmente por não analisar a repercussão desses atos. Analogamente, na medida em que grande parte dos cidadãos ignoram hábitos de coleta seletiva ou não objetivam a utilização de produtos retornáveis – como garrafas e sacolas ecológicas –, essas pessoas consolidam uma gestão de resíduos insegura e atrapalham métodos que reduzem o acúmulo de plástico na natureza. Por consequência, o baixo comprometimento social é refletido na poluição do meio ambiente, o que prejudica a preservação dos recursos naturais para as presentes e futuras gerações.
Ademais, além do setor popular, a atuação estatal ineficiente também corrobora na problemática e convém ser contestada sob a perspectiva do filósofo britânico John Locke. Segundo o autor, a sociedade, em seu estado de natureza, possui o direito à vida, à saúde e à liberdade, que devem ser preservados pelo governo. Dessa forma, o atual poder público contradiz esse pensamento ao promover poucos projetos voltados para o controle seguro do lixo, os quais, frequentemente, apresentam reduzidas práticas de fiscalização e recuperação dos resíduos plásticos como alternativas para impedir a poluição com esse material. Logo, observa-se prejuízos para a harmonia socioambiental e o aumento da contaminação marinha com dejetos urbanos e industriais.
Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com agências publicitárias, deve criar projetos para reduzir os impactos do lixo plástico, de modo a divulgar vídeos nas redes sociais, com práticas habituais de reciclagem e separação de resíduos, que possam inserir um caráter crítico e responsável no meio coletivo. Dessa maneira, será possível construir uma consciência ambiental entre os cidadãos e impedir a utilização irracional dos produtos plásticos. Além disso, o governo, por meio de verbas públicas, deve investir em postos flexíveis para a recuperação dos resíduos sólidos, a fim de potencializar o controle seguro do lixo e inibir que ambientes naturais sejam afetados com esses materiais, assim como ocorreu no documentário “Trashed”.