Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 16/04/2020
O pesquisador e consultor ambiental Maurício Waldman afirma que o lixo se tornou uma catástrofe planetária que faz do planeta Terra um “planeta lixeira”. Certamente, um dos agentes mais massivos que possibilita essa calamidade é o plástico que, produzido em níveis crescentes desde a Segunda Guerra Mundial, é descartado de maneira incorreta e prejudica ecossistemas de todo o globo.
Em princípio, cabe analisar que o plástico é à prova de bactérias e fungos, o que torna sua degradação extremamente lenta. Além disso, é um material de difícil compactação e produzido em quantidades alarmantes, o que contribui para o acúmulo desenfreado no meio ambiente. Nesse sentido, uma pesquisa da Abrelpe realizada em 2017 evidencia que o Brasil possui quase 3 milhões de lixões ou aterros irregulares, o que impacta a vida de cerca de 77 milhões de brasileiros. Uma vez despejado, o plástico serve de abrigo para vetores que causam doenças como a dengue e a leptospirose, o que prejudica severamente a saúde dos cidadãos periféricos que vivem em locais insalubres.
Ademais, o plástico pode ir parar nos rios e oceanos e se fragmentar devido às ações do meio. Dessa forma, após ser ingerido por animais aquáticos, mata-os de foma lenta e dolorosa e pode levá-los à extinção. Assim, dentre as sete espécies de tartarugas-marinhas catalogadas, por exemplo, cinco correm risco de extinção, segundo levantamento da União Internacional de Conservação da Natureza. Verifica-se, portanto, que o descarte inadequado de plástico deve ser prementemente combatido pelas autoridades brasileiras com o objetivo de primar pela saúde humana e pela preservação da biodiversidade. Dessarte, com vistas a atingir esse objetivo é necessário ampliar a infraestrutura e maximizar a conscientização pública, afinal, conforme observado por Rob Kaplan, fundador e CEO da instituição filantrópica de proteção dos oceanos Circulate Capital, investir em uma em detrimento da outra não teria a efetividade necessária.
Portanto, é preciso que o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com as secretarias de municipais de serviços urbanos das cidades brasileiras, invista na implementação de coleta seletiva em todo o solo nacional e na reciclagem integral de todo o lixo recolhido para esse fim, o que deve ser feito por meio de verbas públicas. Por fim, as instituições de ensino devem intensificar o ensino sobre como descartar corretamente o lixo, pois, infelizmente, muitas pessoas concluem o ensino médio sem saber se embalagens mistas ou contaminadas com restos de alimentos podem ser colocadas junto com o plástico para reciclagem, por exemplo. Com esse objetivo, a docência deve preparar debates periódicos entre os alunos para relembrá-los a importância e os mecanismos para se descartar o lixo adequadamente, de modo a formar cidadãos melhor informados quanto à sustentabilidade.