Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 16/04/2020
Desde a Primeira Revolução Industrial, que teve início no século XVIII, a produção de lixo pelo ser humano começou a mudar drasticamente, com um aumento considerável do volume de dejetos gerados e a ampliação do descarte de resíduos não biodegradáveis. O plástico, desde seu surgimento, tem destacado essas transformações, uma vez que esse material altamente utilizado pode demorar mais de 100 aos para se decompor na natureza. Reduzir os impactos de seu uso é um desafio urgente, mas que encontra barreiras para sua resolução na ineficácia de políticas públicas e na pouca disseminação de práticas de reciclagem.
Primeiramente, é válido debater o que tem sido feito sobre essa questão no âmbito governamental. A cidade de São Paulo, por exemplo, proibiu em 2019 o uso de canudos plásticos, numa tentativa de reduzir a geração de resíduos. Essa ação, embora bem-intencionada, cria outros problemas de ordem econômica e social que não podem ser ignorados. O alto custo dos canudos biodegradáveis é fonte de problemas para pequenos empresários, que precisam aumentar o preço de seus produtos e, por consequência, perdem público. Ademais, uma matéria do site Huffington Post mostrou que essa alternativa não é viável para muitas pessoas com deficiência, que necessitam fazer uso dos canudos plásticos dobráveis para consumir bebidas com maior facilidade, o que revela um problema de acessibilidade muitas vezes esquecido.
Por outro lado, as estatísticas mostram que a reciclagem não tem sido bem utilizada para reduzir a geração de resíduos. Segundo a ONU, apenas cerca de 9% de todo o plástico produzido é reciclado. Esse número é causado por uma série de fatores, dentre os quais se destacam a baixa participação da população em campanhas de reciclagem e da baixa eficiência energética e econômica dos processos industriais para reutilização do material. É preciso, no entanto, agir para mudar essa realidade, uma vez que a reciclagem é uma alternativa de grande potencial para reduzir a deposição de rejeitos.
Portanto, faz-se necessário que o governo e o setor privado busquem alternativas para o uso e descarte do plástico. Para isso, o Ministério da Educação pode, por meio da CAPES, estimular pesquisas, em parceria com empresas interessadas, para desenvolver alternativas ao plástico e novos processos de reciclagem mais eficientes. Além disso, os governos estaduais e municipais devem engajar a população na prática da reciclagem e coleta seletiva, por via de campanhas publicitárias. Assim, será possível dar início a uma nova Revolução, que busque o uso sustentável de recursos e o consumo consciente.