Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 17/04/2020

A revolução dos plásticos modernos começou em 1909 graças ao químico belga Leo Baekeland e se intensificou com o desenvolvimento do processo de polimerização entre 1930 e 1950, o que beneficiou diversos setores da economia, como as indústrias de calçadista, alimentícia e automobilística. Entretanto, a despeito das vantagens econômicas, o lixo plástico é um dos agentes que mais assolam os ecossistemas devido ao catastrófico acúmulo de dejetos de lenta degradação que, consonante o pesquisador e consultor ambiental Maurício Waldman, faz do globo um “planeta lixeira”.

A priori, cabe analisar o que torna o plástico o mais sórdido inimigo da sustentabilidade. Nesse viés, de acordo com a engenheira química Marilda Keico Taciro, cada molécula do plástico possui milhares de ligações químicas muito estáveis, o que dificulta a quebra do material pelos decompositores e atrasa a degradação em centenas de anos, fato que favorece a congérie em lixões ou aterros irregulares. Além disso, os animais aquáticos frequentemente confundem os fragmentos de plástico com alimentos e os ingerem - fatalidade que os leva a uma morte longa e dolorosa à custa da impossibilidade de digestão. Em consequência, o lixo plástico ocasiona na extinção de inúmeras espécies vulneráveis, tais como as tartarugas-marinhas, às quais, dentre as sete espécies catalogadas, cinco sofrem risco de extinção, conforme atesta levantamento da União Internacional de Conservação da Natureza.

A posteriori, é válido ressaltar que o despejo inadequado de produtos plásticos favorece a formação de aterros e prejudica comunidades do entorno. Nesse sentido, uma pesquisa da Abrelpe realizada em 2017 evidencia que o Brasil possui quase 3 milhões de lixões ou aterros irregulares, o que impacta a vida de cerca de 77 milhões de brasileiros. Verifica-se, portanto, que o descarte inadequado de plástico deve ser prementemente combatido pelas autoridades brasileiras com o objetivo de primar pela saúde humana e pela preservação da biodiversidade. Dessarte, com vistas a atingir esse objetivo, é necessário ampliar a infraestrutura e maximizar a conscientização pública, afinal, em concordância com Rob Kaplan, fundador e CEO da instituição filantrópica de proteção aos oceanos Circulate Capital, investir em uma em detrimento da outra não teria a efetividade necessária.

Portanto, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com as secretarias municipais de serviços urbanos, deve investir na implementação de coleta seletiva em todo o solo nacional e na reciclagem integral do lixo recolhido para esse fim, o que deve ser feito por meio de verbas públicas. Ademais, compete às escolas intensificar o ensino sobre como descartar corretamente o lixo, por intermédio de debates entre os alunos e com a fixação de cartazes que explicitem com clareza a maneira correta de descartar o lixo, a fim de dissolver a imagem de “planeta lixeira” em prol da sustentabilidade.