Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 18/06/2020

“Ou mudamos ou morremos”. Leonardo Boff, expoente pesquisador brasileiro, explicita, de forma hiperbólica, a necessidade de mudança na relação entre o homem e o meio ambiente para evitar nossa auto-destruição. Nesse contexto, a degradação do ambiente natural tem se intensificado com a ampliação do uso generalizado do plástico na sociedade, fato extremamente deletério ao equilíbrio ambiental e, por conseguinte, à humanidade. Dessa forma, para melhor análise, deve-se considerar tanto o destino do lixo plástico urbano, quanto a constante busca incessante pelo lucro na sociedade.

Sob uma primeira perspectiva, a maioria do plástico despejado de forma inadequada em rios e em litorais são levados aos oceanos, concentrando inúmeros dejetos, e formando as famosas “ilhas de plástico”. Essa realidade apresenta diversos impactos ao meio ambiente, levando riscos a todas esferas do ecossistema, a exemplo dos peixes, os quais, por vezes, ingerem desse material plástico e, assim, as toxinas se aderem no músculo e na gordura desses animais, em que servirão, posteriormente, de alimentos a outros peixes e a humanos, intoxicando diversos organismos. Nesse sentido, o documentário “Oceanos de Plásticos” - disponível na plataforma Netflix - expõe de forma detalhada tal elucidação e afirma que nos últimos dez anos, foram produzidos mais plásticos que no século que os antecede, corroborando esse impasse ambiental e acelerando todos seus prejuízos.

Paralelamente a isso, Yuval Noah Harari, em seu livro “21 lições do século 21”, explicita que o meio ambiente é o principal atingido pelo imaginário coletivo capitalista enraizado na sociedade atual, em que a degradação desse é justificada pelos interesses lucrativistas de empresas e governos. Dessa forma,  a busca por lucros cada vez maiores são intensificadas em detrimento de debates acerca da reciclagem e do destino correto do plástico, degradando mais o meio ambiente e produzindo mais desses materiais que demoram cerca de quatro séculos para se decompor. Portanto, pouco se faz para mudar o destino do lixo plástico urbano, em que seu rejeito irresponsável pode levar a prejuízos ambientais severos, como nas incinerações e nos lixões a céu aberto - que liberam gases de efeito estufa à atmosfera.

Em suma, fica nítido como o lixo plástico é maléfico ao meio ambiente. Logo, deve o Ministério da Infraestrutura minimizar o depósito de rejeitos em rios e oceanos, mediante políticas de ampliação de coleta de esgoto e de recolhimento efetivo dos lixos dos cidadãos - associado a campanhas elucidativas, em redes sociais e grande mídia, da importância da consciência ambiental dos indivíduos -, com o fito de reduzir o dejeto de plástico no ambiente, evitando sua degradação. Além disso, cabe ao Ministério do Meio Ambiente ratificar leis que obriguem empresas a utilizarem parte de seus lucros anuais em restauração ambiental; e,assim, nos aproximarmos das mudanças exigidas por L. Boff.