Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 16/06/2020

Engajamento popular. Essa é a melhor ação a ser desenvolvida por todos os brasileiros, a fim de conter os impactos do lixo plástico no meio ambiente. Entretanto, tal prática não tem atingido seus objetivos devido à alienação de uma parcela da população e à falibilidade estatal. Destarte, é irrefutável que ocorra uma alteração do comportamento letárgico vigente no corpo coletivo e uma remodelação dos projetos midiáticos e governamentais, com o intuito de desconstruir esse contexto áspero.

Nesse sentido, o descarte irregular do lixo é uma consequência direta da alienação de boa parte dos cidadãos brasileiros. De acordo com a teoria da “Indústria Cultural”, alvitrada pelos filósofos frankfurtianos Adorno e Horkheimer, a mídia - por meio do empobrecimento dos conteúdos - nulifica a criticidade dos indivíduos, tornando-os inaptos a enfrentar óbices sociais. Sob esse viés, percebe-se que uma parcela dos sujeitos, alienada pela futilidade midiática, comporta-se apática diante da grande quantidade de plástico disperso no meio ambiente. Tal comportamento deve-se à insipiência dessas pessoas, sobretudo em relação ao grande período de tempo que esse material leva para ser decomposto. Nesse contexto, verifica-se a urgência de ações afirmativas para mitigar essa conjuntura.

Outrossim, constata-se que, a princípio, a Constituição Cidadã assegura a todos os indivíduos multíplices direitos sociais e fundamentais. Não obstante, na prática, ao analisar os impactos do lixo plástico no meio ambiente, percebe-se a concretização do conceito de “Cidadania de papel”, proposto pelo jornalista Gilberto Dimenstein. Tal ótica deduz que, embora o Brasil apresente leis consistentes que abrangem diversos setores, elas se limitam ao plano teórico - como a garantia constitucional de um “meio ambiente ecologicamente equilibrado”. Tal legislação, ao não ser plenamente exercida na prática, tem como consequência a sensação de impunidade dos infratores e, por conseguinte, a propagação de práticas de depósito irregular de matéria plástica. Em síntese, o Poder Público, por assistir inerte ao agravamento da problemática, contribui para a perpetuação desse contexto caótico.

Urgem, portanto, ações sinérgicas entre os atores sociais, com o intuito de conter os impactos do lixo plástico no meio ambiente. Para tanto, a mídia - principal canal de comunicação hodierno - deve estabelecer campanhas que, por meio de amplas divulgações, instruam a população acerca dos malefícios da alta concentração de matéria plástica na natureza, a fim de que a postura apática supracitada seja superada. Ademais, compete ao Governo implementar, por intermédio de massivos investimentos no Poder Executivo, projetos rígidos e eficazes de fiscalização, com o escopo de punir indivíduos que realizem o descarte irregular do lixo. Por fim, tais ações sociais serão o início de uma era na qual a sociedade, dotada de engajamento popular e apoio governamental, possa progredir.