Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 13/07/2020
É possível afirmar que o plástico trouxe vários benefícios para a humanidade. A título de ilustração, seu uso destinado à substituição de peças metálicas em automóveis permitiu a redução de massa e consumo energético, amenizando a emissão de poluentes. No entanto, por seu descarte incorreto e pouca degradabilidade, tal polímero tem causado prejuízos ambientais. Tais danos são graves, sendo que abrangem principalmente a poluição marinha e possuem agravantes ligados ao desestímulo à reciclagem gerado pelo Estado e sociedade.
Primeiramente, é preciso verificar que o descarte exagerado de material plástico afeta vários ecossistemas, mas é especialmente danoso à fauna e à flora aquáticas. Segundo Emily Woglan, vice-presidente da Ocean Conservatory, há pelo menos 8 milhões de toneladas de plástico sendo lançadas ao ano nos oceanos. É relevante apontar que produtos de consumo rápido, como canudinhos descartáveis, compõem boa parte desses poluentes. Uma vez estando no mar, tal polímero fragmenta-se em micro plásticos, os quais são ingeridos por animais aquáticos e se acumulam nos tecidos destes. Esse fenômeno, denominado magnificação trófica, pode causar a contaminação de seres fotossintetizantes, dos predadores de alto nível trófico e de humanos que se alimentam de pescados.
Ademais, observa-se que há, infelizmente, obstáculos que impedem o avanço da reciclagem do plástico no Brasil. De acordo com Fabrício Magreiter, presidente do Sindicato da Indústria de Reciclagem de Mato Grosso, há uma grande dificuldade para a reciclagem de plásticos e outros materiais. Essa realidade advém não só da carente presença de políticas públicas que estimulem a separação de objetos plásticos de resíduos orgânicos, mas também da alta tributação sobre as indústrias do ramo. Consequentemente, uma condição precária e onerosa de trabalho - relacionada à exposição de trabalhadores a conjuntos de materiais misturados em estado de putrefação - e uma reduzida expansão dessa atividade industrial coexistem.
Dessa maneira, é necessária uma ação conjunta do Estado e da sociedade para a amenização dos impactos causados pelo descarte inadequado de plásticos. Bom seria se o Ministério do Meio Ambiente instituísse um programa de combate à poluição plástica. Esse projeto deverá abranger um conjunto de legislações que não só reduzam os impostos exigidos das empresas de reciclagem, como também implantem a coleta seletiva nos municípios. A população, por sua vez, deve contribuir separando o lixo orgânico do plástico, sob pena de multa em caso do não cumprimento da lei. Essas ações, aliadas a uma política midiática de sensibilização que informe e estimule o engajamento da população, constituiriam passos relevantes para a amenização da poluição plástica enfrentada atualmente.