Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 23/07/2020
Após a Guerra Fria, o capitalismo estabeleceu-se no mundo, criando assim um tecido social marcado pelo consumismo, grande responsável pelos principais problemas ambientais da atualidade, entre eles o uso exacerbado de plástico e suas consequências. Sob tal ótica, é evidente que o individualismo presente na sociedade e o descaso estatal revelam-se como agravantes para essa problemática, principalmente no Brasil. Diante desse panorama defectivo, urge sua necessidade por retificação.
A princípio, é imperioso avaliar como a inação governamental contribui para tal adversidade. A Constituição de 1988 garante a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, no entanto, é factual que o poder executivo não efetiva essa prerrogativa. Isso é comprovado quando se vê que as milhões de toneladas jogadas no oceano causam a morte de 100 mil animais marinhos por ano e ainda assim há falta de medidas efetivas para que a produção e consumo de produtos desse material sejam reduzidos. Essa conjuntura, de acordo com o contratualista Thomas Hobbes, configura-se como “violação do contrato social”, visto que, segundo o autor, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Assim, cabe ao Governo um plano para atenuar essa situação.
Sob outro prisma, cabe pontuar também que o individualismo presente na sociedade colabora para a continuidade dos distúrbios causados pela ampla utilização de matéria plástica. Nesse viés, a filósofa alemã Hannah Arendt criou o conceito de ‘‘responsabilidade coletiva’’, em que todos os indivíduos em uma comunidade são coletivamente responsáveis pelo que o Estado faz ou não em seus nomes. Nesse âmbito, percebe-se que os brasileiros não estão exercendo bem esse seu dever, uma vez que o tecido social permanece estático diante de problemas socioculturais como esse. Dessarte, fica evidente que uma mudança no pensamento do corpo social brasileiro é fundamental, tendo em vista que o homem deve zelar pelo bem coletivo em detrimento do individual, uma vez que ele está articulado em uma comunidade.
Infere-se, portanto, que há entraves para que sejam erradicados os prejuízos ambientais causados pelo uso descomedido de plástico, especialmente no Brasil . Assim, cabe ao Ministério da Educação – ramo estatal responsável pela formação civil - criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas. Isso pode ser feito por meio da abordagem da temática, desde o ensino fundamental com palestras, atividades lúdicas e artísticas adaptadas à faixa etária, tal ação objetiva que a comunidade escolar e a sociedade no geral – por conseguinte – sensibilizem-se. Por fim, é imprescindível que a comunidade brasileira exija do poder público a concretude dos princípios constitucionais. Quiçá, assim, tal hiato reverter-se-á.