Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 29/07/2020
A banalização do plástico
No filme “Wall-e”, da Pixar, é retratado um futuro distópico no qual a Terra é deixada pela humanidade por apresentar níveis de poluição insustentáveis. Nesse sentido, a trama foca na trajetória de Wall-e, um robô responsável por compactar o lixo do planeta a fim de que esse possa ser habitável novamente. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada pelo longa pode ser relacionada ao Brasil atual: gradativamente, fauna e flora brasileiras se veem ameaçadas pelo avanço do lixo plástico no país. Sendo assim, é mister entender o processo de consolidação desse material em escala global e como o comportamento social moderno corrobora para o descarte descontrolado dele.
Em primeiro plano, é importante compreender a evolução da popularização do plástico no mundo. Diante dessa perspectiva, menciona-se a Terceira Revolução Industrial, que firmou o petróleo, matéria-prima básica dos materiais plásticos, em escala global. Dessarte, esse processo abriu caminho para a Revolução Plástica, dos anos 1950, que fomentou a utilização desse elemento e o enquadrou na lógica capitalista hodierna, visto que reduziu o custo de produção, a partir do uso desse material. Assim, houve a banalização do emprego do plástico, fato que, hoje, implica na dependência industrial dessa substância e nos enormes danos que sua aplicação exacerbada causa ao meio ambiente.
Além disso, a sociedade contemporânea propulsiona essa utilização demasiada do plástico. Nesse contexto, há o conceito de “Modernidade Líquida”, de Zygmunt Buaman, o qual afirma que a vida, atualmente, é pautada no consumo. Logo, o sociólogo expõe o poder de compra como base do corpo social, o que faz com que haja uma demanda, cada vez maior, de produtos industrializados, que, em grande parte, necessitam de plástico. Portanto, é notório como essa padronização do comportamento social consumista contribui para o esgotamento da natureza, à medida que requer e gera uma quantidade de resíduos, como o plástico, maior do que aquela que o meio pode fornecer e degradar.
Por conseguinte, medidas hão de ser tomadas, a fim de reduzir os danos causados pelo lixo plástico. Primeiramente, o Ministério do Meio Ambiente, órgão que regulamenta a preservação ambiental no Brasil, deve prestigiar empresas que pratiquem a sustentabilidade. Isso seria possível por meio da parceria com ONGs e asseguraria a promoção do desenvolvimento sustentável e a contenção do uso desse elemento poluente. Ademais, a Secretaria Nacional de Justiça, a partir da cooperação com órgãos legisladores, precisa restringir o emprego do plástico, reforçando leis, como a 99/2019, que proíbe o fornecimento de copos, talhares e pratos plásticos na cidade de São Paulo. Desse modo, garantir-se-ia uma vida mais saudável e distante daquela de “Wall-e”.