Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 02/09/2020

O crescimento populacional mundial, de forma exponencial, aliado aos padrões de consumo intensos e cada vez mais descartáveis, proporcionou a atual demanda de produção de plástico no mundo e por consequência se tornou um dos maiores desafios ambientais do século XXI. No entanto, o Artigo 225 da Constituição Brasileira de 1988 define a importância de manter o ecossistema estabilizado através da preservação e recuperação ambiental, tendo como principal objetivo a qualidade de vida que todo indivíduo é digno de ter. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos relacionados ao alto tempo de decomposição do material e sua intensa produção dirigida ao mercado que intensificam os inúmeros impactos de lixo plástico no meio ambiente e impedem a melhor condição do planeta.

Em primeiro plano, é preciso atentar que o plástico é difícil de ser compactado e gera um grande volume de lixo. Portanto, ele ocupa grande espaço no meio ambiente e sua durabilidade e resistência  viram problemas após o descarte. De acordo com levantamentos da IUCN (União Internacional de Conservação da Natureza), cinco de sete espécies catalogadas correm risco de sumir dos oceanos, fato que relaciona-se com as estatísticas de que até 2050 haverá mais plástico nos oceanos do que peixe.

Outro fator relevante é que além de contaminar os oceanos, animais e até alimentos, o plástico também contribui para mudanças climáticas. Reciclar o material não basta para reverter tal tendência, é necessário a redução de produção e consumo, apontam os especialistas ambientais para entrevista no G1. O Brasil atualmente é o 4º país do mundo que mais gera plástico, logo, contribui para o agravamento do aquecimento global, já que libera gases do efeito estufa em sua produção. Segundo projeções do CIEL, nos próximos dez anos, as emissões do ciclo dos plásticos deverão alcançar 1,34 gigatoneladas por ano, o equivalente ao emitido por 295 usinas de energia movidas a carvão mineral, operando a capacidade total.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas estratégicas para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o Poder Legislativo, em concordância com o Ministério do Meio Ambiente, devem incentivar mudanças nas práticas de consumo, a partir de leis mais severas que fiscalizem indústrias do ramo de plástico para que sejam limitadas em sua produção e distribuição, em consonância com a diminuição de impostos para aqueles que substituírem sua produção por peças de vidros ou biodegradáveis que proporcionariam menos impacto em escala global. Assim, com o auxílio do Estado a sociedade  poderá repensar sua mentalidade hipercapitalista de consumo e alterar a condição do  planeta a longo prazo.