Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 16/09/2020

A urbanização brasileira intensificou-se, em 1930, impulsionada, sobretudo, pelo aumento da industrialização que contribuiu para acentuar os deslocamentos da zona rural para o espaço urbano. Todavia, percebeu-se, consoante ao crescimento das cidades, o aumento significativo da poluição ambiental, o qual possui, notadamente, continuidade. Desse modo, ao analisar os impactos do lixo plástico no meio ambiente, observa-se como ferramenta de tal conjuntura, não só um sistema educacional deficitário, mas também a falta de efetivação das garantias constitucionais.

A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação sociocultural. No entanto, mesmo com os avanços dos estudos relacionados à sustentabilidade- modo de produção que associa progresso econômico com conservação do meio-, verifica-se a prevalência de um modelo predatório, o qual, nesse contexto, é responsável pelos impactos dos resíduos plásticos. Nesse sentido, o homem pós-moderno negligencia os efeitos de tal lixo, seja na intoxicação de animais, seja na dificuldade de decomposição desse produtos, como alerta a bióloga Sônia Lopes. Dessa maneira, nota-se um sistema de ensino deficitário, o qual não dialoga com as ideias freirianas e, consequentemente, não forma cidadãos conscientes de que são partes integrantes de um meio, comumente, degradado por suas próprias ações.

Outrossim, a partir da interpretação da Constituição de Federal, entende-se que é dever de o Estado garantir a conservação da natureza. Entretanto, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo expressa-se, na verdade, à medida que não há políticas públicas, com o fito de inserir, nas cadeias produtivas, a sustentabilidade e, assim, dirimir os efeitos do lixo plástico no meio ambiente. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o Enigma da Modernidade, do filósofo Henrique de Lima, o qual explicita que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, a dissonância entre a Carta Magna e a narrativa factual precisa ser solucionada.

Logo, é fundamental que o Poder Executivo venha, por meio de debates com o Ministério da Educação, a realizar uma reforma educacional, a fim de que haja a formação de indivíduos mais diligentes com o papel ambiental. Posto isto, é importante que tal ação foque, principalmente, nas ideias de Freire, no tocante à pedagogia libertadora. Ademais, é imprescindível que o Terceiro Setor, aliado à mídia, desenvolva campanhas- por intermédio de depoimentos de cientistas sociais- que explicitem a necessidade de o Estado realizar políticas públicas que visem à inserção da sustentabilidade nos meios de produção, com o intuito de efetivar os dispositivos constitucionais. Dessa forma, resolver-se-ão os impactos do lixo plástico no meio ambiente e, por fim, atenuar-se-ão os efeitos da urbanização.