Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 27/10/2020

Segundo o artigo 225 da Constituição Federal de 1988, um meio ambiente preservado é essencial à qualidade de vida plena, além de ser de responsabilidade do Estado e da sociedade. No entanto, nota-se que, no Brasil contemporâneo, grande parte da população negligencia a natureza, visto que a produção exorbitante de plástico promove um desequilíbrio ambiental que afeta todos os seres vivos. Diante disso, a morte de animais e o declínio da saúde dos seres humanos são alguns dos impactos oriundos desse cenário nocivo. Logo, faz-se necessárias intervenções governamentais e educativas.

É importante ressaltar, em primeiro plano, que a diminuição da fauna corresponde a uma das consequências dessa conjuntura preocupante. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Peter Singer, o “especismo” diz respeito a uma perspectiva que considera os humanos superiores às demais espécies. Sob essa ótica, observa-se que esse pensamento egocêntrico faz com que grande parte das pessoas não reflita acerca dos danos de suas ações aos outros seres vivos. Tendo isso em vista, o consumo exagerado de plástico, aliado ao descarte inadequado, provoca o assassinato em massa de animais aquáticos devido à asfixia, uma vez que eles ingerem resíduos desse polímero presentes em seu habitat. Desse modo, a conduta inconsequente de uma parcela da população ocasiona a perda de biodiversidade, o que gera um desequilíbrio ecológico que pode desencadear problemas irreversíveis.

Ademais, vale destacar os prejuízos para a saúde dos indivíduos. Nesse contexto, o documentário “Oceanos de plástico” evidencia que o plástico libera substâncias tóxicas que possuem potencial cancerígeno e interferem nos níveis hormonais. Sob esse prisma, constata-se que os seres humanos, em sua maioria, localizam-se no topo da cadeia alimentar, o que faz com que eles possuam um acúmulo maior desses elementos nocivos em seu organismo - fenômeno denominado magnificação trófica. Dessa maneira, há uma redução da qualidade de vida dos sujeitos, haja vista que eles podem adquirir doenças em decorrência das alterações no metabolismo propiciadas por esse material.

Portanto, é imprescindível a adoção de medidas a fim de mitigar o quadro atual. Para tanto, com o objetivo de reduzir o consumo de plástico, cabe ao Ministério da Economia, por meio da atuação do Congresso Nacional, sobretaxar os produtos feitos desse material, especificamente aqueles que são dispensáveis, como as sacolas, copos e canudos. Paralelamente, com a finalidade de conscientizar os brasileiros, o Ministério da Educação, em parceria com ONGs ambientais, deve, por intermédio dos veículos midiáticos, divulgar os efeitos devastadores, especialmente aos animais aquáticos, do uso demasiado e do descarte inadequado de itens constituídos desse polímero. Assim, a legislação ultrapassará o plano teórico e o país contribuirá para o estabelecimento de um ecossistema saudável.