Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 16/10/2020

Ulysses Guimarães, ao discursar sobre a Constituição de 1988, chamou-a de “cidadã” devido a ênfase dada aos direitos dos cidadãos brasileiros. Nesse sentido, prevê-se que o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado é essencial à sadia qualidade de vida da população, impondo-se à coletividade e ao poder público o dever de preserva-lo. Entretanto, tal conjuntura fica restrita à Lei Maior, pois a formação de “ilhas de plástico” e a falta de políticas de reciclagem alicerçam um acentuado problema ambiental: o lixo plástico. Em face disso, são necessárias medidas que atenuem os impactos da problemática.

A princípio, verifica-se que o descarte incorreto de material plástico impacta a dinâmica ecológica do planeta. Nesse contexto, como aborda o documentário “Oceanos de Plástico”, o lixo lançado nos rios e nas praias acaba sendo levado para os oceanos e, pelo efeito das correntes marítimas, forma as famosas “ilhas de plástico”. Nesse viés, muitos animais marinhos confundem o material sintético com o alimento e ingerem plásticos que podem causar a morte e afetar, por conseguinte, toda a cadeia alimentar. Com efeito, o destino desse lixo afeta não só a fauna e a flora, mas também o equilíbrio ecológico e, em última instância, o homem que depende de maneira direta e indireta da vida marinha para se alimentar e gerar riquezas financeiras.

Outrossim, verifica-se que a sociedade contemporânea contempla vantagens econômicas em detrimento de necessidades ambientais. Nesse contexto, o sociólogo britânico Anthony Giddens, por meio do “paradoxo de Giddens”, explica que há divergências entre as recompensas do presente e a ameaça de perigos futuros, ou seja, as pessoas preferem recompensas imediatas ao invés de agir para obter resultados melhores posteriormente. Sob tal ótica, o conforto e a praticidade que o plástico proporciona parece superior às desvantagens ecológicas e, então, não há grande investimento na resolução do problema. Desse modo, somente 9% de todo o plástico produzido foi reciclado, conforme dados da Organização das Nações Unidas Meio Ambiente.

Urge, portanto, que ações sejam desenvolvidas para a promoção de um ambiente livre de lixo plástico. Dessa maneira, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, instância máxima da administração de questões ambientais do país, por meio de parceiras com a iniciativa privada, oferecer incentivos econômicos às empresas que promoverem estratégias de reciclagem de materiais plásticos, para que haja o descarte correto e a reutilização de itens que poderiam poluir oceanos. Ademais, convém à população rever seus hábitos de consumo e agir com o fito de amenizar as consequências geradas pelo lixo. Assim, a Constituição “cidadã” será seguida na prática e refletida nas ações da sociedade.