Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 07/10/2020
No final do século XV, surgiu na Europa o sistema capitalista, impulsionado pelas ideias calvinistas de valorização do trabalho e da poupança. Na contemporaneidade, essas ideias refletiram na forma de a sociedade lidar com o consumo, e a evolução desse cotidiano exibe o atual descaso das pessoas em relação ao montante de lixo plástico, que não é adequadamente gerenciado e chega aos oceanos anualmente. Diante disso, é evidente o desafio para combater essa circunstância desafiadora, que é ainda agravada tanto pela negligência de instituições formadoras de valores comportamentais quanto pela ineficácia de ações políticas.
Em princípio, por os malefícios do descarte incorreto de resíduos plásticos para os oceanos ser pouco difundido, grande parte das famílias e outras instituições sociais como as escolas subestimam a importância de conhecimentos sobre o tema, além de se ausentarem da discussão sobre a correta destinação para cada tipo de resíduo gerado diariamente. Nesse sentido, verifica-se que, mesmo após avanços na área do gerenciamento de resíduos sólidos, ainda há muita desinformação e negligência a respeito da adequada disposição final desse material por parte dos brasileiros, o que faz que, muitas vezes, o gerenciamento de lixo, principalmente plástico, e, consequentemente, a preservação da biodiversidade marinha permaneçam apenas no papel.
Ademais, no contexto relativo à questão pública, os programas governamentais de tratamento e reciclagem de resíduos sólidos não são suficientes para o montante gerado diariamente, como evidencia os dados do Fundo Mundial Pela Natureza, que mostram que, dos mais de 11.000.000 milhões de toneladas de lixo plástico produzidos por ano, somente cerca de 145 mil toneladas são recicladas no país. Logo, indubitavelmente, é necessário maior engajamento por parte das autoridades competentes para resolver a questão da chegada desse tipo de material aos oceanos brasileiros.
Portanto, com o objetivo de consolidar, satisfatoriamente, uma mentalidade social que valorize o correto descarte de lixo plástico e a preservação da fauna e da flora marinha, compete a mais famílias, empresas e até setores da imprensa ampliar, por meio, respectivamente, de mais diálogos domésticos, cartilhas educativas, palestras ou documentários em horário nobre sobre o tema, a necessária preocupação com o destino do lixo doméstico. Além disso, cabe ao Governo Federal intensificar investimentos em políticas públicas para garantir que os resíduos plásticos sejam tratados, por meio de uma reestruturação orçamentária capaz de destinar ao Ministério de Infraestrutura mais recursos específicos para contemplar essa questão, visto que isso pode possibilitar, por exemplo, ampliação de programas de gerenciamento e reciclagem do lixo.