Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 14/10/2020

Segundo o filósofo Sartre, a ação responsável é uma característica inerente à condição humana. Entretanto, tal lógica é contrariada no Brasil, haja vista que irresponsabilidade da população se manifesta no uso inconsciente e na produção excessiva de plástico, fato que acarreta severos impactos de ordem social e ambiental. Nesse viés, é lícito inferir que a inoperância governamental e a passividade midiática são agentes perpetuadores da danosa problemática no país.

Em primeira análise, é importante ressaltar a negligência estatal como um entrave para reduzir a utilização do plástico no Brasil. Sendo assim, o sociólogo Émile Durkheim aponta como “anômicas” as sociedades em que as instituições de poder já não conseguem mitigar os problemas coletivos. Analogamente, tal proposição é evidenciada na falta de investimento do Estado brasileiro em uma política eficiente de coleta e seleção de resíduos, a qual poderia estimular a prática da reciclagem do plástico. Desse modo, a carência de medidas do governo leva o país à condição de “anomia”, proposta por Durkheim.

Outrossim, cabe ressaltar o papel da mídia na influência do comportamento da massa. Nesse sentido, o filósofo Thomas Marshall defende que os meios de comunicação deveriam ser usados para democratizar o acesso informacional. No entanto, tal ideal é subvertido pela escassez de peças publicitárias com dados acerca das consequências ambientais e sanitárias do plástico, resultado de uma priorização de interesses financeiros em detrimento do bem-estar social. Por conseguinte, a falta de visibilidade da causa contribui para a ignorância da população em relação às dimensões do cenário, o que dificulta uma postura consciente diante do uso do poluente.

Logo, a mobilização da sociedade brasileira é necessária para mitigar os danos ocasionados pelo plástico. Para tanto, urge que o Governo Federal, em parceria com as prefeituras municipais, crie o programa “Menos Plástico, Mais Sustentabilidade” (MPMS), o qual deverá, por meio de verbas estatais, promover a construção de pontos de seleção e coleta de lixo plástico em todo o território nacional, sobretudo nos grandes centros urbanos. Além disso, o MPMS deve ser divulgado nas redes sociais – em virtude do vasto alcance de plataformas digitais – com a finalidade incentivar a reciclagem e informar a localização dos centros de coleta. Feito isso, o ideal de Sartre poderá, enfim, ser convertido em realidade.