Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 29/10/2020
O filósofo Hans Jonas em sua obra “O princípio responsabilidade” afirma que o ser humano tem responsabilidade com o meio ambiente e com as gerações futuras e, por isso, deve refletir sobre as consequências de suas ações para a coletividade, agora e no futuro. Entretanto, percebe-se que tal situação não ocorre de maneira efetiva na contemporaneidade, visto que há um aumento na produção de resíduos plásticos, devido ao consumo exagerado por parte da população, o que gera inúmeros prejuízos, como a morte de animais e danos à saúde humana.
Primeiramente, é notório que esse quadro é ocasionado especialmente pela postura consumista da sociedade moderna. O conceito “fetichismo da mercadoria”, elaborado por Karl Marx, ilustra o funcionamento desse comportamento danoso à natureza, que é caracterizado pelo esvaziamento do valor utilitário de um produto e sua substituição pelo valor de troca, o qual é definido pelo “status” que o objeto agrega ao consumidor no momento. Nessa perspectiva, o corpo social passa a ser organizado pelo consumo ditado pelas tendências ultrarrápidas e, desse modo, contribui para o aumento do uso do plástico, haja vista a sua participação na composição das embalagens dos produtos, na própria mercadoria e na sua fabricação.
Em segundo lugar, é importante ressaltar os impactos negativos do plástico nos ecossistemas. De acordo com o Instituto de Pesquisas para Desenvolvimento francês, 3 a cada 10 peixes já ingeriram plástico durante sua vida. Esse cenário é extremamente preocupante, já que esse consumo não é limitado apenas aos peixes, mas afeta também todos os animais do ambiente aquático, tais como tartarugas e aves marinhas, que podem morrer sufocados por esse material, além de também acabarem emaranhados e presos no lixo. Ademais, é importante considerar que muitos desse animais participam da dieta humana e o plástico ingerido por eles é um material capaz de acumular substâncias nocivas ao ser humano, como metais pesados.
Portanto, é de suma importância que medidas sejam tomadas para resolver essa problemática. Para isso, é necessário a criação de oficinas educativas pela escolas com o objetivo de desenvolver nos alunos um pensamento mais sustentável, por meio de palestras, com o apoio de especialistas e ONGs, sobre o consumismo e seus impactos ambientais. Adicionalmente, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, órgão responsável pelo desenvolvimento de políticas públicas relacionadas ao meio ambiente, investir em ações de reciclagem e na coleta seletiva, por meio da associação com cooperativas, com o intuito de reduzir os obstáculos propiciados pelos resíduos plásticos. Só assim, o fetichismo da mercadoria será superado e a responsabilidade ambiental de Hans Jonas alcançada.