Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 10/11/2020
Em 1992, foi realizada na cidade do Rio de Janeiro a “Eco-92”, conferência em que foram estabelecidas metas ambientais a serem cumpridas por todos os países participantes. Décadas depois, grande parte dos objetivos traçados não foram alcançados e o lixo plástico se apresenta como um dos maiores empecilhos para essa realização. Por sua vez, esse material gera graves impactos ambientais, os quais são agravados pelo comportamento negligente do Estado e da sociedade.
A princípio, a conduta social somada à atuação veemente da mídia na divulgação de produtos faz com que essa problemática seja aguçada. A esse respeito, o filósofo Karl Marx, no século XIX, definiu como “Sociedade de Consumo” a ideia de que as relações sociais em um meio capitalista são movidas pelo consumismo. Ocorre que, na sociedade atual, o indivíduo é recorrentemente estimulado pelos veículos midiáticos a consumir, e o plástico se faz presente em substancial parcela dos componentes do consumo cotidiano. Ademais, esse material apresenta tempo aproximado de decomposição de 500 anos, portanto, seu uso excessivo e inconsciente se torna uma mazela que não se restringe ao âmbito social - uma vez que provoca também a morte de espécies marinhas e poluição de ecossistemas -, mas também alcança a esfera ambiental.
De outra parte, a imperícia estatal contribui para que essa temática se perpetue no meio social. Nesse viés, verifica-se a ineficácia na fiscalização em relação ao descarte de lixo plástico em grandes centros urbanos, causada, por vezes, por não existir estrutura adequada para essa realização. Outrossim, a falta de introdução do tema na educação básica impossibilita o desenvolvimento de senso crítico por meio da sociedade e fragiliza a conscientização social para com a necessidade de reduzir seu consumo. Sob essa ótica, haja visto o caráter potencialmente nocivo do acúmulo desse material no ambiente, a situação contradiz o ideal do contratualista Thomas Hobbes, segundo o qual cabe ao Estado assegurar o bem-estar social. Dessa forma, enquanto o silêncio do governo for a regra, a redução dos impactos do lixo plástico será apenas utopia na sociedade brasileira.
Diante do exposto, urge que essa problemática seja combatida com maior seriedade. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação, investir em medidas na educação de base, visando formar cidadãos conscientes. O projeto deve se chamar “Plástico Zero” e incluir a adição da matéria “Educação Ambiental” na BNCC, a qual visará tornar lúcida ao jovem a importância de combater o excesso de lixo plástico e buscar alternativas sustentáveis de desenvolvimento. Além disso, essa disciplina deve incluir palestras mensais com o mesmo fim e temáticas relacionadas à sustentabilidade. Desse modo, será possível alcançar uma sociedade onde as metas da Conferência da Terra serão parte da realidade.