Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 18/11/2020
A célebre frase “no meio do caminho tinha uma pedra”, cunhada no poema de Carlos Drummond, retrata as intempéries que surgem na jornada do eu lírico, as quais, metaforizadas como pedras, obstruem o percurso de sua vida. Fora da ficção, tal poesia se reflete no contexto atual, pois, no meio do caminho do combate à poluição plástica, existem pedras. Diante dessa perspectiva, é preciso assumir a postura de um geólogo, com a intenção de analisar as medidas que precisam ser aplicadas para que as rochas, ora da desídia do Estado, ora da falta de empatia, sejam levadas ao intemperismo.
Vale destacar, de início, que a negligência governamental impossibilita um meio ambiente equilibrado. Isso porque, segundo Aristóteles, em seu livro “Ética a Nicômaco”, “a política existe para preservar a felicidade da nação”. No entanto, o cenário atual rompe com o ideal proposto pelo filósofo, visto que as pesquisas da Organização das Nações Unidas (ONU), de 2020, apontam que o descarte indevido do lixo plástico acarreta mais de 100 mil mortes de animais aquáticos por ano, fator que desequilibra a cadeia alimentar de milhares de espécies, sobretudo a dos corais – responsáveis pela sustentabilidade da vida marinha. Desse modo, evidencia-se que o precário tratamento dos resíduos constitui um atendado à democracia, pois provoca alterações ambientais prejudiciais à vida.
Faz–se mister, ainda, salientar a falta de empatia como empecilho para a preservação ecológica. Isso pode ser explicado pelo fato da coletividade atual viver em um “Estado de Anomia”, definido pelo sociólogo Émile Durkheim como um espaço de descontrole social, em virtude do egoísmo e do egocentrismo. Em consequência disso, conforme o médico Dráuzio Varella: o precário tratamento de lixo, associado à ausência de empatia social – consumo exagerado e refugo inadequado dos rejeitos -, geram transtornos à saúde, já que o lançamento incorreto do plástico, no ecossistema, produz gases tóxicos que causam dores de cabeça e distúrbios respiratórios. Dessa maneira, denota-se a importância do engajamento civil para disseminar condutas de maior sustentabilidade e consciência ambiental.
Portanto, com o intuito de mitigar os impactos causados pelo lixo no Brasil, cabe ao Governo criar políticas públicas, mediante investimentos - como leis que obriguem o descarte e consumo responsável do plástico - a fim de garantir a preservação dos habitats que sofrem com a poluição, bem como um meio ambiente equilibrado e saudável. Ademais, tais ações devem ser realizadas em parceria com as escolas e as mídias sociais, por intermédio de palestras onlines, em que ambientalistas mostrarão à sociedade o valor da preservação ecológica, especialmente para o bem-estar das gerações futuras. Destarte, o caminho tornar-se-á livre, pois, como disse a poetisa Cora Coralina: “Com as pedras atiradas, construí a minha obra”.