Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 20/11/2020

“O homem nasce com o instinto da destruição e do massacre, e enquanto a humanidade não sofrer uma metamorfose total, haverá guerras”. Essa era a definição de evolução humana idealizada por Anne Frank, ao escrever o seu diário em Amsterdã, pouco antes do final da Segunda Guerra Mundial. No contexto atual, análogo ao cenário de guerra, os homens transformam o plástico em uma arma e vivenciam os impactos desse lixo no meio ambiente. Isso se deve à ineficácia governamental e à omissão da sociedade, o que urge por mudanças.

Em primeiro lugar, vale destacar que a falta de atitude do governo tem estreita relação com as consequências da disseminação do lixo plástico. Essa correlação fundamenta-se pelo fato de que ainda há poucos investimentos no descarte adequado do plástico, assim como há falta de processos sustentáveis, como a reciclagem. Nesse sentido, segundo o Data Folha, mais de 57% das cidades brasileiras ainda não possuem meios adequados para a questão final do plástico, facilitando, então, a intoxicação alimentar dos animais e a poluição ambiental, o que coloca em pauta o direito à saúde, prevista na Constituição de 1988. Dessa forma, parafraseando Chico Xavier, a omissão de quem pode e não auxilia o povo é comparado a um crime contra toda a comunidade.

Vale ressaltar, ainda, que a omissão da sociedade está intrinsecamente relacionada com os impactos que o lixo plástico trás ao meio ambiente. Isso pode ser comprovado pela fala do jurista Márcio Brava, que declarou em entrevista à revista Le Monde Diplomatique Brasil, que o silêncio da sociedade reside na cordialidade atual dos indivíduos, que praticam o individualismo em detrimento do coletivo, uma crítica que retoma ao livro “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda. Nesse sentido, é perceptível a ausência de denúncias e movimentos sociais acerca dos impactos do lixo plástico, o que colabora para a perpetuação dessa problemática.

Portanto,  fim de superar as consequências ambientais, oriundas da omissão da sociedade e da falta de atitude do governo, é imperativo que o governo federal, por meio dos impostos arrecadados nos grandes centros urbanos, invista em oficinas de reciclagem e em recursos que facilitem a separação do lixo plástico, como as cestas de identificação de cada tipo de lixo. Paralelamente, faz-se necessário a conscientização efetiva da sociedade no combate a essa problemática, o qual pode ser feita por meio de canais de debates, entre especialistas sobre esse assunto, que mostrem as devidas consequências em relação a péssima condução do lixo pela sociedade, como a intoxicação alimentar, além da difícil degradação do lixo no meio ambiente. Agindo assim, a evolução idealizada por Anne Frank se assemelhará à realidade brasileira.