Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 12/01/2021
O filme “Wall-e” apresenta um futuro distópico, em que o ser humano tem de deixar o planeta por conta da quantidade de lixo que ocupa a superfície. Fora da ficção, esse cenário não se encontra distante, visto que o excesso de lixo plástico é um problema da atualidade. Diante desse quadro, é importante analisar as consequências que a omissão governamental e a baixa atuação do corpo social causam.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que a negligência do Poder Público agrava o problema do lixo plástico. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, no livro “Modernidade Líquida”, instituições zumbis são aquelas que deixam de cumprir seu papel social. Nesse sentido, o governo, em relação ao descarte de plástico, é uma dessas intituições, pois, embora haja uma Política Nacional de Resíduos Sólidos, PNRS, ela não é cumprida. Tal fato ocorre devido ao investimento mínimo das autoridades em políticas públicas que objetivam a implementação do decreto - como a criação de aterros sanitários, a coleta seletiva, a reciclagem, entre outras medidas. Por conseguinte, segundo reportagens da BBC news, há, no oceano pacífico, a formação de um “continente” de plástico que é três vezes maior que a França e causa a morte de diversos animais que confundem o lixo com o alimento. Logo, equanto a inoperância estatal persistir, o meio ambiente sofrerá com as consequências.
Outrossim, é lícito postular que a irresponsabilidade do corpo social impulsiona esse revés. A esse respeito, é pertinente evidenciar a tese do jornalista Daniel Goleman sobre Inteligência Ecológica, a qual afirma que há uma ilusão de que as ações da vida material não terão grandes consequêcias. Contudo, devido à compra de diversos produtos que contêm plástico e o descarte indevido, há o acúmulo de lixo em matas e rios, entupimento de bueiros - o que, consequentemente, agrava o problema das enchentes. Nesse contexto, é necessário que essa lógica seja revertida.
Torna-se evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para mitigar a problemática. Para isso, as prefeituras - responsávies pela implementação da PNRS - devem iniciar a construção de aterros sanitários e a criação de coletas seletivas. Isso pode ser feito por meio de parcerias público-privadas com empresas especializadas no tratamento do lixo e em fábricas de reciclagem. Sendo assim, o plástico terá o destino correto e não será descartado nos oceanos. Ademais, é importante que as escolas instruam às crianças sobre a responsabilidade que os cidadãos têm de cuidar do meio ambiente. Para tal, deve promover palestras e aulas com professores do assunto. Com isso, desde a infância, o indivíduo aprenderá sobre as consequências ambientais e a ilusão, relatada por Goleman, deixará de ser realidade.