Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 30/12/2020
“Tinha uma pedra no meio do caminho/No meio do caminho tinha uma pedra”. Esses versos do poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade podem ser associados a uma temática atual; já que, em meio a uma era de grandes avanços no Brasil, os impactos do lixo plástico no meio ambiente funciona como uma “pedra” que dificulta o continuísmo do progresso brasileiro. Logo, faz-se necessário debater essa problemática, a fim de minimizá-la.
Diante de tal cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabelece regras sobre o gerenciamento adequado do lixo no país. No entanto, o que se nota, na contemporaneidade, é a debilidade na fiscalização e direcionamento de recursos para garantir o cumprimento desse regulamento, no que tange às formas de descarte de materiais plásticos utilizadas pelo homem. Isso pode ser comprovado quando, segundo o site G1, cerca de 13 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos todos os anos. Tal contexto demonstra uma ênfase na urgência da reversão desse quadro para que seja possível visualizar um futuro menos caótico para os próximos anos.
Além disso, é mister salientear que o individualismo é responsável por impedir uma conscientização ambiental por parte do ser humano, de modo que este não se mostra preocupado com as consequências do rejeito plástico irrefreado. Isso ocorre porque, conforme o escritor José Saramago propõe, em seu livro “Ensaios sobre a cegueira”, há uma “cegueira moral” presente na conduta de muitas pessoas, o que impede uma valorização de interesses benéficos à coletividade. Dessa forma, sem a mobilização social, o acúmulo de plástico nos ecossistemas resultará em uma severa degradação da biosfera. Não é de se estranhar, desse modo, que, de acordo com a Revista Veja, apenas cerca de 3 milhões de toneladas de plástico, dos 33 bilhões de toneladas produzidos, são reciclados, tornando essencial uma intervenção direta.
Portanto, medidas são necessárias para a resolução desse impasse. O Ministério do Meio Ambiente, órgão responsável por gerenciar os recursos ambientais no Brasil, deve realizar investimentos no setor de fiscalização por meio de verbas recuperadas de operações contra a corrupção, como a “Postal Off”. Tais aplicações teriam o fito de garantir um destino mais seguro para o plástico descartado e, com isso, reduzir seu impacto negativo na natureza. Ademais, as prefeituras municipais devem promover programas de incentivo à reciclagem desse material com o intuito de incentivar a população a se comprometer mais com a causa natural. Assim, será possível remover as “pedras” drummondianas e assegurar o progresso do país.