Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 03/01/2021

Em sua obra “O princípio da responsabilidade: ensaio de uma ética para a civilização tecnológica”, o filósofo alemão Hans Jonas defende que os seres humanos são responsáveis não só pela situação presente, mas também pelas gerações futuras, pois elas têm igual direito à vida. Apesar da legitimidade de tal afirmação, no Brasil, observa-se que a prática deturpa a teoria, uma vez que ainda existem entraves no que tange aos impactos do lixo plástico no meio ambiente. Nesse âmbito, faz-se necessário analisar as origens acerca do óbice social apresentado: consumismo e sistema educacional tecnicista.

Diante desse cenário, é imperativo pontuar que o consumismo é catalisador desse imbróglio. Isso é elucidado pelo sociólogo Zygmunt Bauman – em seu livro “Sociedade do Consumo” –, o qual critica o fato de praticamente todas as relações sociais serem baseadas em compra. Nesse contexto, o comportamento de substancial parcela da população brasileira se relaciona à realidade consumista denunciada por Bauman, de sorte que homens e mulheres estão submissos ao gasto inconsciente, o que demanda embalagens e insumos produzidos com plástico. Assim, é incoerente que, mesmo sendo nação pós-moderna, o Brasil ainda perpetue a falta de conscientização socioambiental.

Além disso, vale ressaltar que ensino tecnicista contribui para essa problemática. Acerca disso, a pedagoga Vera Maria de Candau — em seu livro Educação Intercultural e Didática Escolar — afirma que o sistema educacional atual está preso nos moldes do século XIX e não oferece propostas significativas para as inquietudes hodiernas. Nesse sentido, observa-se uma insuficiência de conteúdos relativos à aproximação do indivíduo com a educação ambiental, fruto de uma educação tecnicista e pouco voltada para a formação cidadã do aluno. Logo, com aulas voltadas para memorização teórica, o sistema educacional vigente pouco estimula o contato do estudante com os impactos do lixo plástico. Desse modo, é incoerente que, mesmo sendo nação pós-moderna, a educação até agora não consiga ser libertadora, tal como Vera resguarda.

Diante do exposto, evidenciam-se os desafios sociais para a resolução desse impasse. Nessa lógica, cabe ao Poder Executivo desenvolver projetos que informem a população sobre as implicações do descarte de lixo plástico, por meio de palestras gerenciadas por ambientalistas, as quais orientarão o comportamento das pessoas. Paralelamente, o Ministério da Educação deve levar o tema às escolas públicas e às privadas. Isso deve ocorrer por meio da substituição de parte da carga teórica da Base Nacional Comum Curricular por projetos interdisciplinares que envolvam o ensino socioambiental, para que se desperte o interesse do aluno ao mesmo tempo em que se desenvolve sua consciência cidadã. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pelos princípios de Hans Jonas.