Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 04/01/2021
A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, no artigo 225, o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, quando se observa o impacto do lixo plástico no Brasil. Dificulta-se, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro, os quais estão relacionados não só à ausência do Estado, como também ao papel da sociedade frente a essa questão.
Deve-se destacar, de início, a ausência de medidas governamentais para combater tal problemática. Nesse sentido, segundo Rousseau, na obra “Contrato Social”, cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar da população. No entanto, nota-se, no Brasil, que a questão do lixo plástico rompe com as defesas do filósofo iluminista, uma vez que não há medidas solidas e eficazes para o manejo do lixo urbano, como a coleta seletiva e aterros sanitários. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno terceiro milênio, a maioria dos rejeitos plásticos sejam jogados em lixões e acabam por degradarem e contaminarem o meio terrestre e aquático, pois tais resíduos duram anos para se decomporem.
Ademais, é fundamental apontar a sociedade como impulsionadora do problema no Brasil. Sob esse viés, segundo dados divulgados no site G1, menos de 50% das famílias brasileiras separam seletivamente o seu lixo domiciliar. Diante de tal exposto, é evidente que a população, no geral, tem pouca informação ou incentivo para separar o seu lixo, ainda não há uma cultura de selecionar garrafas plásticas, embalagens e outros produtos recicláveis em relação ao lixo orgânico. Como consequência disso, menos rejeitos plásticos são destinados à reciclagem ou à reutilização e acabam por poluir ainda mais o ecossistema, pois não há uma lógica sustentável no consumo e no uso desses produtos. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério do Meio Ambiente, por intermédio de investimentos em infraestrutura e campanhas educacionais, introduza um sistema de coleta seletiva e eduque a população a respeito disso. Nesse viés, as campanhas devem mostrar a importancia de se separar o lixo e enviá-lo corretamente à coleta seletiva propiciada pela nova infrestrutura, a qual deverá dar o destino adequado aos rejeitos, como a reciclagem. Assim, se consolidará uma sociedade mais sustentável, na qual o Estado desempenha corretamente seu papel, tal como afirma Rousseau.