Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 09/01/2021
De acordo com o Artigo 225 da Constituição Federal, todos os brasileiros têm direito a um meio ambiente equilibrado. Porém, devido ao descarte inadequado de materiais plásticos, esse direito não tem sido resguardado. Desse modo, a negligência do poder público e a ignorância da população quanto às consequências do descaso com a biosfera repercurtem tanto nos meios urbanizados quanto nos meios não urbanizados.
Por um lado, os danos provocados pelo descarte inadequado de lixo reciclável ,nas cidades, não se dá de forma homogênea. Segundo o ativista ambiental Benjamin Franklin, isso ocorre devido ao Racismo Ambiental - fenômeno a partir do qual lixões, aterros sanitários e indústrias poluidoras são construídos próximos a bairros pobres, onde há a prevalência de minorias sociais. Assim, existe a contínua desvalorização dessas regiões, o que corrobora para o aumento das desigualdades socioeconômicas. Outrossim, a presença de lixões a céu aberto favorece o aparecimento de animais que transmitem doenças como a dengue e a leptospirose. Infelizmente, segundo a ABRELPE, existem, no país, quase 2 milhões de lixões, o que revela a gravidade da situação.
Por outro lado, as consequências ambientais devido ao excesso de plástico produzido globalmente, não se restringem à espécie humana. Conforme a ONU, até 2050, haverão mais fragmentos plásticos nos oceanos do que peixes. Lamentavelmente, devido ao especismo - conceito criado pelo psicólogo Richard Ryder para tratar do sentimento de superioridade humana frente às demandas dos outros animais -, esse tema só ganhou visibilidade quando passou a ameaçar a vida das pessoas. Hodiernamente, fragmentos de embalagens são enviados aos mares, entram nas cadeias alimentares e chegam aos pratos dos humanos por intermédio dos pescados e frutos do mar. Dessa maneira, todos os animais que participam dessa teia alimentar são prejudicados, pois durante a produção desses produtos, diversas substâncias maléficas à saúde são utilizadas. Por isso, é necessário que o Estado e a sociedade adotem uma postura de combate a esse problema.
Portanto, para controlar um dos maiores problemas do século XXI, é necessária a ação conjunta dos dois setores sociais citados. Para isso, o governo federal deve promover subsídios e incentivos aos negócios de impacto que se proponham a utilizar plásticos recicláveis como matéria prima, por meio da redução e unificação de tributos e a criação de lei similar à Rouanet, em que parte do imposto de renda de pessoas fisicas e jurídicas poderá ser destinado à essas empresas, a fim de fomentar a economia circular. Ademais, as camadas mais privilegiadas da sociedade, capazes de pressionar seus governantes, precisam se manifestar nas urnas para impedir a prevalência do Racismo Ambiental.