Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 04/02/2021
A animação americana ‘‘Wall-E’’ apresenta um futuro distópico no qual o planeta Terra está abandonado e cheio de lixo e poluição, resultado da consumismo intenso da população mundial. De maneira similar à realidade, nota-se que, no Brasil os impactos do lixo plástico no meio ambiente em nada difere do enredo ficcional citado, pois a negligência estatal para com a manutenção do combate ao acúmulo de dejetos plásticos, bem como o conformismo da população para com a conduta consciente para com os cuidados com o meio ambiente. Diante disso, é imprescindível discutir metodologias ativas para estimular o desenvolvimento de uma política ambiental sustentável.
Nesse contexto, é importante ressaltar o papel da inércia social para fomentar a poluição. Diante disso, o conceito de ‘‘Banalidade do Mal’’, proposto por Hannah Arendt, alerta sobre como a negligência a qualquer problema pode resultar em um caos social. Dessa forma, a atitude inconsciente da sociedade para com a questão do descarte do lixo, evidenciado pelo acúmulo de materiais de plástico nas praias e nas ruas, contribui para amplificar as consequências adversas da população. Logo, é míster que haja, por parte da sociedade, o desenvolvimento de uma conduta analítica e crítica para com o correto descarte de dejetos plásticos, de modo a ser o menos danoso possível para o meio ambiente e para os seres vivos que nele habitam.
Nesse sentido, o fenômeno de ‘‘Instituição Zumbi’’, proposto pelo sociólogo Zygmunt Bauman, fala sobre a inoperância de entidades responsáveis por atribuições beneficentes à sociedade. Em face disso, o Estado pode ser categorizado dentro do conceito baumaniano, pois ele não garante para a sociedade o pleno desenvolvimento de uma política econômica sustentável, o que resulta em problemas como o acúmulo de resíduos plásticos nos mares, que acaba por causar a morte de milhares de seres vivos desse ambiente, contaminados pela ingestão do lixo. Ademais, a inatividade estatal para com a necessidade de intensificar o processo de reciclagem contribui para um panorama ambiental anômico.
É fulcral, portanto, tomar medidas cabíveis para solucionar o problema. Para tanto, é indispensável que haja uma sinergia entre Estado e Mídia. O Estado deve promover o desenvolvimento sustentável, mediante a prática da reciclagem do lixo nas empresas e na sociedade, como por exemplo a sua reutilização para novos produtos ou materias-primas, com o fito de amenizar os danos da poluição ambiental. Além disso, a Mídia deve promover a ficção engajada e pedagógica, por meio de propagandas e filmes que estimulem a construção de uma conduta consciente para com o manejo dos dejetos plásticos, como a coleta seletiva, com o objetivo de combater a poluição. Somente assim será possível evitar que casos como o do filme ‘‘Wall-E’’ se perpetuem.