Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 15/07/2021

Conforme apregoou Pablo Neruda, poeta chileno, os indivíduos são livres para fazer suas escolhas, mas serão prisioneiros das consequências. Diante dessa máxima, no que tange ao meio ambiente, o uso descomedido e o descarte errôneo de objetos plásticos são fatores que, por conseguinte, impulsionam o desequilíbrio ambiental que afeta, lamentavelmente, a homeostase dos organismos vivos.

Sob esse viés, é relevante abordar que o processo de Revolução Industrial - a partir do século XVIII - promoveu a produção de itens plásticos em larga escala. Nesse bojo, desde essa época, o contexto parece apenas se agravar, pois as fábricas, de maneira torpe, induzem os consumidores não só a produtos supérfluos, mas também de descarte instantâneo. Nesse pesaroso cenário, de acordo com a WWF Brasil, o Brasil é o 4° país do mundo que mais gera lixo plástico no mundo, com 11 milhões de toneladas, sendo que apenas 145 mil toneladas são efetivamente recicladas. Logo, é inadmissível que uma nação detentora da Política Nacional de Resíduos Sólidos persista com a falta de educação ecológica, o descarte incorreto do lixo e o consumo inconsequente de embalagens plásticas, assim, agindo de forma inescrupulosa e irresponsável com as próximas gerações.

Ademais, vale ressaltar que o desequilíbrio ambiental existente no Brasil pode ser classificado pela Ecologia como uma relação desarmônica, afinal, há prejuízo para milhares de espécies. Posto isto, é notório que as atitudes inconsequentes dos cidadãos perante o ecossistema acarretam em drásticas consequências ambientais como a poluição hídrica, que prejudica tanto os seres marinhos que consomem microplásticos, quanto os seres humanos que fazem o consumo desses animais. Outrossim, canudos e sacolas plásticas favorecem o entupimento de bueiros e agravam enchentes, tornando a população suscetível à leptospirose, cólera e malária. Dessa maneira, é irrefutável que o Estado adote medidas efetivas contra a problemática do plástico no território brasileiro, como a reeducação da sociedade, com o propósito de superar o caótico quadro ambiental hodierno.

Dessa forma, fica clara a necessidade de um plano de ação intersetorial que combata o uso excessivo de plástico. Portanto, o Ministério da Educação, aliado à Mídia, deve promover campanhas publicitárias, por meio das redes sociais, televisão e rádio, sobre a importância de reciclar as embalagens plásticas, haja vista o elevado tempo de decomposição, a fim de efetivar o consumo e descarte consciente desse polímero, coibindo assim a contaminação dos mares e animais marinhos. Com isso feito, os brasileiros, em consonância com o ideal de Neruda, terão boas atitudes em prol da convivência harmônica com o meio ambiente.