Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 16/07/2021

Desde 1907, quando Leo Baekeland, químico belga, criou o primeiro plástico totalmente sintético e comercialmente viável, a utilização desse material tem sido associada ao conceito de praticidade. Contudo, a dependência e uso desenfreado de produtos plásticos baratos, rapidamente descartáveis e extremamente duráveis gerou um grave problema ambiental de consequências descomunais. Nesse sentido, frente a negligência coletiva e provectas insuficiências governamentais, o impasse perpetua-se. Em primeiro plano, é válido mencionar que a contemporaneidade, marcada pelo advento das Revoluções Industriais e Tecnológicas, têm presenciado, em virtude da alteração dos hábitos de consumo, os impactos no ecossistema. Nesse viés, pode-se apontar a obsolescência programada, a persistência de atitudes domésticas antiecológicas e a destinação irregular de resíduos como coeficientes potencializadores da problemática. Ademais, a manutenção desse cenário caótico evidencia a inexpressividade do poder público. Prova disso, é a escassez de intervenções administrativas satisfatórias voltadas para a aplicação do artigo 225 da Carta Magna, que garante, entre tantos direitos, o meio ambiente equilibrado. Isso é perceptível pelos índices negativos e inversamente proporcionais de produção de lixo plástico e reciclagem no Brasil.

Outrossim, segundo o Princípio de Responsabilidade, do filósofo alemão Hans Jonas, não se pode sacrificar o futuro pelo presente, sendo necessária a criação de uma ética reguladora das ações antrópicas sobre o meio. Dessa forma, o preterimento dessa lógica resulta em danos proeminentes. Destarte, entre os impactos ambientais gerados pelo plástico, um dos mais relevantes é a acumulação do material nos oceanos e consequentemente, a interferência gerada na cadeia alimentar dos animais marinhos que absorvem substâncias químicas perigosas e bioacumulativas. Além disso, os produtos químicos lixiviados de plásticos contêm compostos como bisfenol A e ftalatos, substâncias cancerígenas que podem afetar o sistema reprodutivo das mulheres e levar a problemas cardíacos.

Portanto, são essenciais medidas operantes para a reversão do problema gerado pelo uso exacerbado de plástico na sociedade. Para isso, compete ao Ministério do Meio Ambiente, por meio de parcerias público-privadas com as principais empresas produtoras de plásticos descartáveis, gerir recursos para investimentos em coleta e reciclagem e para o financiamento da construção de aterros sanitários, a fim de garantir o descarte correto do lixo plástico, promotor de desordens ecológicas. Para mais, cabe as escolas – principal formadora de opinião – a disseminação de conceitos como desenvolvimento sustentável e cidadania, bem como o direcionamento para o bom uso dos recursos ambientais. Assim, o Princípio da Responsabilidade proposto por Jonas será efetivado.