Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 27/09/2021

O documentário de Craig Leeson, nomeado “Oceanos de Plástico”, revela a triste realidade dos mares mundiais: a grande quantidade do polímero presente nas águas, e como essa exorbitante quantia afeta diretamente a qualidade de vida animal e humana. Sabe-se que com o advento do material houveram vários benefícios para a indústria e sociedade, mas o lixo plástico descartado no meio ambiente gera várias implicações para a fauna e flora, como a morte de corpos d’água e perda de biodiversidade.

Em primeiro plano, cabe salientar que a flora é uma das mais prejudicadas quando se diz respeito ao uso exacerbado do plástico. Esta, produtora da cadeia alimentar, sustenta todos os outros nichos ecológicos acima dela, e os polímeros, descartados de forma irregular na natureza e principalmente nos cursos d’água, aumentam a turbidez destes, de maneira a diminuir a taxa de fotossíntese. Com a produção de energia reduzida, há o aumento da matéria orgânica e de bactérias decompositoras, o chamado fenômeno da eutrofização. Nessa perspectiva, percebe-se que a falta da fotossíntese gerada pelo descarte inconsequente do plástico no ambiente aquático a prejudica a cadeia alimentar em pequena e em grande escala, visto que os seres humanos também fazem parte desta.

Ademais, o lixo plástico também gera uma enorme perda na biodiversidade animal para além dos problemas citados. Mencionados no documentário de Leeson, os microplásticos - polímeros tão pequenos que são quase invisíveis - são as principais substâncias que se acumulam nos organismos dos animais por serem facilmente confundidos com alimento. Tal bioacumulação gera a morte desses indivíduos, de modo a desequilibrar o meio. Assim, observa-se que o uso dos artefatos plásticos representa um grande perigo para as populações animais, pois além de se acumularem dentro dos organismos, podem entupir narinas e guelras, de modo a prejudicar a respiração e causar asfixia do ser vivo, matando-os. Nesse interím, urge a necessidade de medidas para reduzir a morte destes seres.

Por conseguinte, com vistas a reduzir a taxa de eutrofização, bioacumulação e morte da fauna e flora brasileiras, é preciso que o a Câmara dos Deputados encaminhe ao Senado Federal um projeto de lei que proponha a redução do uso do plástico não biodegradável nas produções fabris. Tal ação será feita a partir da substituição dos polímeros comuns derivados do petróleo por outros que se decomponham com mais facilidade, a exemplo dos feitos com celulose. Dessa forma, é possível que os plásticos tenham um tempo menor de vida, causem menos impactos ambientais e que a realidade vista em “Oceanos de Plástico” não seja mais palpável.