Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 09/11/2021

“Tornou-se chocantemente óbvio que nossa tecnologia excedeu nossa humanidade.” Consoante à constatação do físico Albert Einstein, o cenário vigente — onde o aumento do lixo plástico no meio ambiente configura um revés de consideráveis proporções — denota como a tecnologia, atrelada ao excesso, foi capaz de suprimir o conceito de humanidade no que se refere à preservação de vidas marinhas e à saúde coletiva. Tal panorama possui a mentalidade capitalista e a falta de medidas governamentais eficazes como sendo os principais elementos que protagonizam a problemática.

Insta salientar, a princípio, a influência da mentalidade capitalista na questão da produção e dos impactos do lixo plástico no meio ambiente sob a perspectiva de Karl Marx. Para o sociólogo alemão, os sujeitos são indiferentes e privilegiam os ganhos individuais em detrimento dos interesses coletivos. Tal pensamento se materializa no modo como os grandes empresários — motivados pelo bem próprio — produzem, sem responsabilidade ecológica, utensílios plásticos fúteis e desconsideram os malefícios que tal conduta pode potencializar no meio social, como o aumento de resídios poluentes de difícil deterioração, morte massiva de animais marinhos e enchentes pela obstrução dos esgotos. Logo, visando à transformação dessa triste realidade, faz-se preciso engajar nesses empresários o senso de coletividade.

Sob um segundo olhar, é importante pontuar a omissão do governo como fomentadora da adversidade. Sob essa lógica, Thomas Hobbes defendia que é dever do Estado proporcionar meios que auxiliem o progresso social. Tal concepção, todavia, não se aplica à conjuntura hodierna, uma vez que as autoridades governamentais perduram omissas para criar leis severas no que se refere à abolição do uso de plásticos sem fins de necessidade extrema, como a proibição do uso de sacolas plásticas e uma maior fiscalização nos estabelecimentos que fornecem canudos para consumo de bebidas. Logo, não é justo que a máquina pública corrobore — com sua ausência de dever — a manifestação dos prejuízos ocasionados pela produção e comercialização de tais artigos poluentes.

Em síntese, mitigar os impasses que propulsionam a degradação ambiental a partir do lixo plástico é fundamental. Urge, assim, que o Poder Executivo seja capaz de atribuir proporcionalmente os tributos pagos pelas empresas do ramo, de modo a estimular e desestimular medidas no que diz respeito às condutas ecologicamente sustentáveis, para que essas possam aprimorar as tecnologias de produção, visando preservar a vida marinha e a saúde coletiva. Ademais, os governos estaduais devem proibir o uso de sacolas plásticas e a distribuição de canudos de materiais prejudiciais. Espera-se, com tais medidas, afastar-se da perspectiva de Einstein acerca da invalidação humana perante à tecnologia.