Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 16/11/2021
Na obra “Utopia”, do filósofo inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, a realidade contemporânea brasileira diverge da visão do autor, uma vez que o lixo plástico tem causado impactos no meio ambiente, dado o seu crescente volume e longo tempo para degradação, que o torna quase onipresente, no mar ou em terra. Esse cenário antagônico é resultante tanto da massificação da produção, quanto da inépcia do governo. Diante disso, esses aspectos necessitam uma análise para o restabelecimento da harmonia social.
A princípio, faz-se mister apontar o incremento da produção e do consumo como impulsionadores daqueles rejeitos na natureza. A esse respeito, a indústria, ao longo do século XX, incrementou sua produção, a partir do fordismo e suas inovações, como as linhas de montagens. Nesse contexto, a utilização do plástico de petróleo representou enormes vantagens por seu baixo custo e por sua alta aplicabilidade, que universalizaram seu uso. Em consequência, a crescente expansão fabril ocasionou o aumento do consumo, pois, como afirmava Henry Ford, a produção em massa pressupõe o consumo em massa. Assim, tudo isso redundou na sociedade de consumo, a qual quanto mais manufaturas, mais refugos e poluição.
Outrossim, é igualmente relevante notar o papel da incúria governamental no fomento daqueles descartes no ambiente natural. Nesse viés, Arthur Pigou, economista inglês, cunhou o termo externalidade para designar qualquer resultado com origem em algum processo produtivo, que não tem seu custo aferido nele. Nesse sentido, as fábricas, ao usarem largamente insumos plásticos, criaram uma externalidade negativa, posto que, esses artefatos, no fim de sua vida útil, por seu volume e resistência, necessitam tratamento específico, cujo custo não é atribuído aos seus produtores. Desse modo, caberia ao Estado administrar essa ocorrência, impondo esse dispêndio ao seu causador, e não a toda a sociedade. Logo, ao não o fazer, configura-se a inépcia e contribui-se para o agravamento do quadro.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para deter as decorrências desses indesejáveis resíduos. Dessarte, a Ministério do Meio Ambiente – responsável pelas políticas do setor – deve propor projeto de lei com a finalidade de criar um sistema de logística reversa para os rejeitos plásticos, com a coleta e a recompra de embalagens e de moldados, que envolveria toda a cadeia produtiva no seu financiamento. Tal iniciativa seria feita por meio de audiências públicas objetivando incentivar o engajamento da população e o consumo consciente. Com isso, a utopia de More seria alcançada.