Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 20/10/2022

No âmbito dos impactos ambientais advindos da proliferação do lixo plástico, o cidadão consciente vai dormir tranquilo, já que separou todo o seu lixo e enviou as embalagens plásticas para reciclagem. Porém, como mostra o documentário “O mito da reciclagem”, produzido pela BBC, esse indivíduo deveria ter é pesadelos. Na verdade, a reciclagem plástica é uma falácia, uma vez que, atualmente, como mostram as estatísticas, trata-se de uma prática onerosa e ineficiente.

Nesse contexto, conforme números divulgados pelo “Plano de incentivo à cadeia do plástico” (PICPlast), em 2019, foram reciclados apenas 24% do material pós-consumo. Todavia, esses números ainda são inferiores à média de reciclagem europeia, porque, segundo a BBC, na Europa, o índice de reciclagem foi de 30% no mesmo período. Em suma, contas não fecham, logo, é preciso investir em educação e em novas pesquisas sobre o tema, de modo que a Constituição não seja apenas uma lei morta, afinal, ela determina, no artigo 225, que todos têm direito ao ambiente ecologicamente equilibrado.

Outrossim, os impactos desse tipo de material no meio ambiente são devastadores, pois, como denuncia o referido documentário, 70% das embalagens desse polímero acabam nos aterros sanitários ou são incineradas, contribuindo, dramaticamente, para o aquecimento global. Portanto, quando se trata de plástico, a atitude cidadã é repensar, recusar, reduzir e reutilizar, de sorte que, no atual contexto tecno-científico, a reciclagem é economicamente pouco atraente para o grande capital, embora, sub-repticiamente, se divulgue o contrário.

Diante disso, urge que o Ministério do Meio Ambiente crie campanhas publicitárias a serem veiculadas no rádio, tv e mídias sociais incentivando o povo a repensar hábitos de consumo. Ademais, o Ministério da Educação deve criar, no bojo do curso de biologia do ensino médio, cursos atualizados sobre os hodiernos problemas criados pelo plástico em todos os ecossistemas, ensinando modos de reduzir essa praga. Finalmente, a sociedade civil deve pleitear no Congresso Nacional leis mais duras, exigindo embalagens sustentáveis. Só então, poderemos colocar a cabeça no travesseiro, ainda não tranquilos, no entanto, engajados na luta contra a política do plástico e na tarefa da conscientização ecológica.