Impactos do turismo à comunidade local: como solucionar esse problema?
Enviada em 29/08/2025
No documentário “A Síndrome de Veneza” (2012), é retratado como as cidades de foco turístico são lentamente transicionadas para nada mais além que um “parque temático” para os seus visitantes, marginalizando a população local. Longe de ser ficção, é possível concluir que, apesar de sua aparência atrativa, a prática do turis-
mo descontrolado vem afentando negativamente a vida nativa, especialmente no que condiz ao comércio e ao desenvolvimento urbano. Nesse contexto, torna-se
imprescindível compreender como o turismo afeta a comunidade local no Brasil.
Em primeiro plano, é importante ressaltar que, com o crescimento do turismo, o espaço urbano deixa de funcionar como uma rede multimodal para dar um maior foco ao comércio excursionista. Assim como é defendido pelo geógrafo Milton Santos, a apropriação das cidades pelo comércio externalizado fragiliza as relações econômicas, uma vez que a sazonalidade do público alvo - o turista - torna os co- merciantes locais dependentes das “altas temporadas”, o que estaciona a renda familiar e congela a economia local. Logo, apesar da movimentação temporária, o mercado regional é desvalorizado frente à expansão do turismo.
Além disso, é válido destacar que a concentração monetária nas regiões “mais atrativas” discrimina o espaço urbano e as relações interpessoais. Isso ocorre por-que, assim como afirma o geógrafo David Harvey, o acúmulo de capital em regiões específicas direciona os investimentos estatais para longe das periferias, refor-çando a segregação citadina e condicionando a má infraestrutura de regiões habi-tacionais locais. Então, a falta de fiscalização estatal em relação às atividades turís-ticas vem construindo um cenário de instabilidade econômica e espacial no país.
Portanto, é de extrema importância combater essa questão. Para tal, é necessário que o Poder Executivo, mais especificamente o Ministério do Turismo, crie linhas de créditos e incentivos fiscais para pequenos comerciantes e produtores locais, para que a economia regional seja movimentada independentemente de temporadas. Ademais, o mesmo órgão deve redirecionar os investimentos estatais para áreas que rodeiam os pontos turísticos, para que a vida local seja tão valorizada e pre-servada quanto a turística. Assim, as memórias das cidades poderão ser apreciadas por todos, independente de sua origem ou transitoriedade.