Impactos do turismo à comunidade local: como solucionar esse problema?
Enviada em 09/06/2025
O geógrafo brasileiro Milton Santos defendia o uso do espaço de forma justa e equilibrada, com respeito à população local. Sob essa ótica, é possível delimitar que o turismo pode acarretar em impactos à comunidade local e, para mitigá-los, é preciso solucionar suas principais problemáticas: a falta de conhecimento acerca do tema e a deficiência de políticas públicas eficientes.
A princípio, pouco se fala sobre as consequências do turismo intenso em determinadas regiões. A sociedade - e inclusive os turistas - não sabe, mas o fluxo intenso de pessoas pode acarretar prejuízos ambientais - poluições do ar, visual, sonora e acúmulo de lixo - e sociais - distorções culturais, gentrificação e desemprego em baixas temporadas. O filme ‘‘comer, rezar, amar’’ retrata o caos que comunidades tradicionais enfrentam com turistas, que afetam seu cotidiano e sua cultura, de modo a retratar a realidade de milhões de moradores de pontos turísticos muito visitados.
Além disso, os projetos governamentais sobre essa problemática são deficitários: poucas políticas voltadas ao controle do fluxo, e muitas para intensificá-lo. Apesar de ser uma excelente fonte de renda, quando não há uma limitação, cria-se um ambiente propício para crises e caos, principalmente quando a economia regional se concentra totalmente no turismo - tornando-se muito frágil à variações do mercado externo e colocando a população em risco de especulação imobiliária, aumento do custo de vida e desemprego estrutural. Na teoria, os governos de regiões turísticas deveriam solucionar esses impasses, mas na prática o que se enxerga é a manutenção desses problemas.
Em suma, é imprescindível que os governantes locais, por meio de seus ministérios e secretarias, elaborem projetos que limitem a atividade turística até onde lhes compense financeiramente, sem causar-lhes outros prejuízos. Isso pode ser feito por meio da regulamentação do número de hospedagens disponibilizadas para esse setor e controle da quantidade de visitantes em locais estratégicos, a fim de manter a prática sem causar transtornos. Dessa forma, é possível usufruir do espaço da maneira defendida por Milton Santos e manter uma boa relação entre turistas, moradores e economia local.