Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 27/10/2025
No livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, o autor critica o egoísmo e a falta de empatia das pessoas diante dos problemas da sociedade. Essa reflexão continua atual, já que muitos desafios sociais brasileiros ainda são marcados pela indiferença e pela desigualdade. Entre eles, destaca-se o problema da adoção de crianças no Brasil, que enfrenta burocracia, preconceito e demora excessiva nos processos legais. Assim, a questão envolve tanto a ineficiência do sistema judicial quanto os preconceitos presentes na sociedade.
Um dos principais motivos para essa situação é a lentidão e complexidade do processo de adoção. Muitas crianças passam anos em abrigos à espera de uma família, enquanto as etapas judiciais e a exigência de documentos dificultam a conclusão do processo. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem mais pessoas interessadas em adotar do que crianças disponíveis, o que comprova que o problema não está na falta de pretendentes, mas sim na morosidade do sistema. Essa realidade prejudica o desenvolvimento das crianças e compromete seu direito a crescer em um lar afetivo e seguro.
Além disso, fatores culturais e sociais também dificultam a adoção. Muitos pretendentes preferem crianças brancas, bebês e sem deficiência, enquanto crianças mais velhas, negras ou com necessidades especiais têm menos chances de serem adotadas. Esse comportamento evidencia preconceitos antigos e uma visão limitada sobre o conceito de família. Assim como Machado de Assis criticava o egoísmo e a falta de empatia em Brás Cubas, é necessário estimular uma cultura mais solidária e acolhedora, valorizando o afeto acima do vínculo biológico.
Portanto, o governo federal, em parceria com o Conselho Nacional de Justiça, deve promover campanhas de conscientização sobre a adoção, destacando que todas as crianças merecem um lar, independentemente de idade, cor ou condição. Além disso, é essencial simplificar o processo jurídico de adoção e oferecer apoio psicológico às famílias adotantes e às crianças, garantindo acompanhamento antes e depois da adoção. Desse modo, o Brasil poderá reduzir o número de crianças em abrigos e construir uma sociedade mais justa, empática e comprometida com o bem-estar infantil.