Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 25/09/2019
Na animação norte-americana “A família do futuro”, Lewis e Bowler são colegas de quarto de um orfanato-enquanto um é mais intelectual e adora ciência o outro aprecia basebol- tais características de Lewis deram a ele pais adotivos, enquanto seu amigo, passou toda a juventude naquele lar. Fora da ficção, é fato que a obra estadunidense pode ser relacionada a questão da adoção no Brasil do século XXI:gradativamente, a burocratização e o determinismo biológico corroboram para a lentidão e o descompasso nos processos de adoção do país.
Segundo o filósofo contratualista Tomas Hobbes, é dever do Estado garantir a paz e a Ordem. Contudo, na medida em que se analisa dados do Cadastro Nacional de Adoção-o qual revela que o número de interessados em adotar pode chegar a doze vezes a quantidade de crianças disponíveis nos lares adotivos-verifica-se a transgressão do contrato social de Hobbes. Isso se deve, em parte, por uma delonga nos processos: há casais que ficam por anos na lista de adoção.
Ademais, a herança eurocêntrica ainda se faz presente no comportamento de muitos casais-fenótipos de afrodescendentes são segregados-, o que leva a uma padronização das características almejadas. Assim, verifica-se que o descompasso histórico resulta em amarras que contribuem para uma não adoção.
Portanto, a fim de que histórias como a de Bowler não sejam reproduzidas fora da ficção é necessária a atuação governamental. Diante disso, em parceria com as ONGs de Amparo a Criança e adolescentes juntamente com estudantes de serviço social:os quais realizarão mutirões para dar agilidade aos processos de adoção que há muito tempo se encontram parados. Além disso, é fundamental que parte do horário cedido as propagandas do governo seja utilizado para promover a adoção, repreendendo atitudes segregacionistas e incentivando a importância de tal prática. Para que assim, gradativamente as amarras coloniais sejam desatadas.