Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 16/09/2019
A série americana,“This is Us”, conta a história de um casal que, ao perder um de seus filhos trigêmeo, resolve adotar um bebê negro abandonado no hospital. Ao longo da história, o garoto sofre preconceito de seus colegas por ser filho adotivo de um casal branco. Não muito longe da ficção, as adoções no Brasil sofrem diversos impasses, como preconceito racial, e a não adoção de crianças com irmãos, impasses estes que retrogredam a adoção no país.
Para Platão, o importante não é viver, mas viver bem. Entretanto,cerca de 44 mil crianças e adolescentes se encontram em abrigos no Brasil, segundo o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos (CNCA), sendo uma criança a cada cinco famílias. Entretanto, muitas delas não são acolhidas,pois de 4881 crianças cadastradas no CNA,3.206 possuem irmãos co-sanguíneos e 65% das famílias cadastras não querem adotar crianças com irmãos. Esse impasse gera conflitos psicossociais às crianças, que crescem descrentes em afeto familiar.
Outro fator que dificulta a adoção no Brasil é o preconceito gerado em torno de um “perfil” requerido pelo adotante. Para o Estatuto da Criança e do Adolescente(ECA), a lei 8069/90 privilegia o bem estar da criança em primeiro lugar, entretanto, o preconceito enraizado não permite a adoção com um total bem-estar, pois o perfil exigido pelos pretendentes é em 91% brancos, segundo a CNA, por exemplo, e muitas crianças acabam sendo rejeitadas, como o caso do menino de 9 anos, em Minas Gerais, que foi rejeitado por um casal por ser, segundo eles, " negro e feio".
Portanto, é notório que os impasses na adoção brasileira prejudica as crianças, por isso, é necessário que haja uma reestruturação no processo de adoção,adotada pelo ANGAAD e pelo Governo, onde analise o perfil psicológico dos futuros pais para garantir que não haja discriminação. Além disso, que a mídia, com ajuda de propagandas, reforce os dados da CNN e apresente histórias de irmãos que não querem ser separados, para estimular as pessoas a adotar-los e a dar-lhes o amor que não tiveram.