Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 02/10/2019
Na série “Anne whith an e”, produção canadense da Netflix, é retratada as dificuldades no processo de adoção vivida pela personagem Anne, uma órfã que após uma infância de abusos nos orfanatos, é adotada pelos irmãos Cuthberg, os quais tinham preferencias por um menino. Fora da ficção, esse cenário é uma realidade no que tange a atual conjuntura brasileira, cujo preconceito e as preferencias físicas, geram impasse para a adoção no país.
Em primeiro plano, Noberto Bobbio, filósofo italiano, afirmara que os preconceitos são opiniões errôneas, aceitas sem criticidade e razão. Consoante ao escritor, a população apresenta-se falha ao prender-se no pressuposto da adoção ser um ação de risco. Destarte, visto que órfãos tem um histórico familiar conturbado, acreditam que adotar só gerará problemas. Por conseguinte, possíveis adotantes desistem do ato por medo dos estereótipos sociais, dos quais órfãos são passíveis a rebeldia e a criminalidade. Assim, a ignorância sobrepõe-se ao bem-estar coletivo.
Paralelamente, é importante salientar que o pensamento patriarcal de “família ideal” acentua a problemática. Nesse viés, adotantes possuem um arquétipo de preferências perante as crianças a serem adotadas e quando não encontram o desejado, desistem da adoção devido à burocracia no processo. Consequentemente, aquelas que não encaixam-se nos padrões pré-estabelecidos são deixadas de lado, passando a vida em orfanatos por não terem as características físicas almejadas pela população.
Portanto, é imprescindível a necessidade de medidas para mitigar os impasses da adoção no Brasil. Sendo assim, com o fito de acabar com os estereótipos negativos, cabe à Ancine produzir documentários, por meio de entrevistas com adotantes e adotados, transmitidos nas escolas e teatros municipais. Ademais, ao Ministério da Justiça reduzir a burocracia, exigindo um numero menor de documentações, para tornar o processo diligente e eficaz. Dessa forma, aumentarão as chances de se alcançar um cidadania legítima e plural, na qual órfão possam ser adotados como Anne.