Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 02/09/2019

No limiar do século XXI, a adoção de crianças e de adolescentes aparece como um dos desafios mais evidentes na sociedade brasileira. A partir de tal questão, muitos jovens conseguem amparo e afeto familiar. No entanto, é indispensável salientar que a busca por um perfil convencional mostra-se um dos mais relevantes impasses para o processo de adoção no Brasil, na medida em que apenas uma parcela de jovens é selecionada em detrimento de outras. Diante disso, vale discutir as implicações que a adoção pode motivar na vida de um jovem e a importância da convivência familiar para o desenvolvimento do indivíduo.

Em uma primeira abordagem, é fundamental destacar que a Constituição Federal de 1988 garante convivência familiar e comunitária para todas as pessoas. Todavia, o poder público e a sociedade falham enquanto entidades responsáveis pela efetivação desses direitos. Consoante a Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, porém, o que observa-se no Brasil é uma deturpação desse conceito. De maneira análoga, muitas crianças e adolescentes vivem em abrigos e não possuem vínculos com seus familiares, sejam pais, irmãos ou avós. Nesse sentido, valores familiares acabam não sendo assimilados por essas pessoas, o que compromete seu desenvolvimento individual e social. Nesse contexto, a prática da adoção apresenta-se como um meio para atender as necessidades e os interesses dos jovens desamparados, uma vez que restabelece o vínculo familiar.

Outro ponto em destaque, nessa temática, é a relevância do núcleo familiar para o desenvolvimento do indivíduo. Em consonância com esse pensamento, o escritor Evan Do Carmo defende o conceito de que o homem torna-se bom quando é amado incondicionalmente - eis a importância da família. Logo, um indivíduo que cresce sem o amparo familiar torna-se suscetível a ter mais dificuldade para a prosperidade social, haja vista que necessidades básicas, como a educação e os valores tradicionais são fragilizadas. De encontro a esse cenário, estudos do Instituto de Pesquisa de Campinas indicam que mais de 45 mil jovens vivem em abrigos e sonham por uma adoção. Tal conjuntura atenta contra a dignidade da pessoa humana, no compasso em que a reivindicação de direitos não é firmada.

Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para fomentar o processo de adoção no Brasil. Cabe ao Ministério da Cidadania, em consonância com as mídias de grande circulação e digitais, promover um projeto para conscientizar a população sobre a importância da adoção. Nesse programa, as condições de vida dos jovens, que vivem em abrigos e que não são escolhidos pelo perfil, deverão ser expostas de modo realista. Com isso, espera-se que mais crianças possam ter laços familiares.