Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 30/09/2019

Consoante o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por ser composta por partes que interagem entre si. Desse modo, para que esse organismo seja mais igualitário e coeso é necessário que todos os direitos do cidadãos sejam garantidos. Entretanto, no Brasil, isso não ocorre visto que os impasses no processo de adoção é realidade no país. Esse quadro é fruto da negligência governamental e, também, das exigências dos adotantes.

É relevante abordar que a tese marxista disserta acerca da inescrupulosa atuação estatal, que assiste apenas à classe dominante. Dessa forma, alienados pelo capitalismo, os governadores negligenciam a necessidade fecunda de acelerar o processo adotivo. Assim, a lentidão do Judiciário e a longa tentativa de recuperar os laços da criança com a família fomentam a permanência desses impasses. Porém, embora caótica, essa situação é mutável.

Outrossim, a preferência dos pais por crianças dentro de um perfil específico acarreta a continuidade do alto número das crianças nos abrigos, pois de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção, existem 4.881 crianças cadastradas para adoção e 40.306 brasileiros interessados em adotar. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para transpor as barreiras aos impasses no processo de adoção.

Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário medidas para combater os impasses no processo de adoção. Para que o Brasil seja mais articulado como um “corpo biológico”, cabe ao Estado em parceira com ONG’s, em que possam encaminhar, mais rapidamente, os processos ao Judiciário e o Estado fiscalizar severamente o andamento. A mídia também tem um papel fundamental, através de campanhas a respeito da realidade da adoção e seus efeitos. Outras medidas devem ser tomadas, mas, como disse Oscar Wilde: “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação”.