Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 29/08/2019

Sonhos. Esperanças. Família. Pensamentos que navegam no universo de quase 5.000 crianças cadastradas para adoção no país. Neste contexto, ter um irmão de sangue se torna um problema no ato da adoção, o que se deve a fatores como a desinformação e o preconceito social.

Pode-se tomar como primeiro ponto a falta de compreensão sobre a importância do acolhimento para as pessoas envolvidas. Os longos processos para formalização das autorizações judiciais, as desgastantes entrevistas com psicólogos e assistentes sociais se mostram uma confusa realidade. Elementos necessários, todo o processo esta por trás o sonho de uma família maior que não são vistos como prioridade, resultando em decepções, medos e até mudanças de planos que terminam nas varas de infância.

Além disso, as intenções dos voluntários do coração são subjugadas por convenções sociais que, por sua vez, se originam no resultado da ignorância frente as relações interpessoais. Na sociedade brasileira, o reconhecimento de parentesco dos filhos se dá por meio de comparação biológica, sendo o DNA a ferramenta mais eficaz. Ou seja, as relações de afeto e proteção transferidas no ato instintivo de cuidar do outro, não possuem a relevância necessária, prejudicando com isso a convivência em comunidade.

Destaca-se, portanto, o compromisso de soluções eficientes a fim de aprimorar o método de adoção no Brasil. Para isso, associações devem destinar espaços para discussão do tema, apoiando aos conselhos tutelares e abrigos infanto juvenis na conscientização e informação sobre o sistema de adoção. Além disso, as varas de infância devem promover simpósios e palestras ministrados por juízes que, utilizando-se das redes sociais na internet poderão estimular a presença da comunidade orientando e motivando as famílias participantes a um melhor convívio social.